Ninguém Sai Vivo Daqui

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"Ninguém Sai Vivo Daqui": Um nacional que retrata atrocidades psiquiátricas com intensidade e sobriedade

Complicado. Esse é adjetivo que começa a descrever o filme Ninguém Sai Vivo Daqui. O longa nacional do diretor e roteirista André Ristum se destaca melhor quando analisado por áreas separadas do que como um todo, contudo, fará sua grande estreia este ano na abertura do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, sendo que já ganhou o cinema mundial no Black Nights Film Festival, em Tallinn, capital da Estônia.

Elisa (Fernanda Marques) é forçada pelo pai a embarcar em um trem que vai, literalmente, levá-la ao pior destino possível. Ela se torna residente fixa no Hospital Psiquiátrico Colônia, onde deverá receber tratamento para um diagnóstico falso de esquizofrenia. A jovem, que já se revoltava contra as vontades patriarcais da família, se vê tendo que lutar ainda contra os abusos físicos e mentais que a equipe do hospital impõe aos residentes. Determinada a escapar, pode ser que ela conquiste a liberdade mas não há garantia que sua sanidade se mantenha intacta.

Primeiro ponto: por que em preto e branco? Os objetivos provavelmente são a criação de uma atmosfera sóbria, tensa, que intensifique o terror da parte real da história e traduza a falta de vida e o aprisionamento dos personagens, mas se é por isso, tem que ser preto e branco raiz e não nutella, com aplicação de filtro por cima. Se não o que é pra ser escuro vira breu e o claro irradia. Compreensível, mas parece desmedido.

Pensando no enredo, nada mais louvável do que dar vida a vozes que foram silenciadas por praticamente um século no maior e pior hospital psiquiátrico do país, mas a forma de contar a história ficou comum, cai no mesmo espaço de tantas outras que vieram antes dela, inclusive o livro que inspirou o filme “Holocausto Brasileiro” da autora Daniela Arbex, lançado em 2013.

Os créditos ficam com o cenário, muito bem aproveitado e adequado completamente ao que está sendo contato, e o elenco, que soube demonstrar o bem e o mal com igual intensidade.

O longa em si é relevante pela lembrança e reforço de que não podemos esquecer nem permitir que atrocidades como as vistas no filme, das mais brandas às mais horríveis, se repitam, independentemente de quanto tempo passe, alguns feitos devem ser evitados a todo custo, para que as vidas perdidas não tenham sido em vão e aqueles que sobrevivem possam ter sua medida de paz.

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