O Último dos Céfrans

13.01.2017 │ 18:01

13.01.2017 │ 18:01

O Último dos Céfrans nos introduz a um contexto de miscigenação e pluralidade étnica e cultural em um dos países mais cosmopolitas do mundo, a França. Somos apresentados a um grupo de jovens adultos que lutam por um propósito na vida. Rémy (Rémy Ferreira), pretende se alistar ao exército francês, mas não sabe como contar a seus amigos. Eles, que o intitulam como o último francês de descendência legítima.

Pierre-Emmanuel Urcun, experiente em direção de curta-metragens, assume as lentes desse projeto simples e muito conciso. Falar sobre os jovens de hoje e não usar uma releitura do que foi ser jovem nos anos 80 é uma necessidade. Retratar as pessoas que estão vivendo o agora e registrar esse acumulado de ideias de uma geração que nunca mais voltará e só tende a evoluir para outro estágio, é algo fascinante para qualquer cineasta ou espectador.

O roteiro não tem medo de usar o sóbrio humor europeu para ligar cada personagem ao seu núcleo particular de vida e suas questões e problemas a resolver. Sobra até para o sargento do exército uma certa atrapalhada na maneira de entrevistar Rémy, segmento que foge um pouco da proposta urbana do resto do filme, mas que se encaixa quando pretende mostrar um novo ambiente. Decisão proposital que não pesa numa situação que já é incômoda o suficiente para o personagem.

A trama central pretende falar sobre objetivos e o que esses jovens pretendem fazer de útil da vida deles. As despedidas e tentativas de Rémy de se decidir e ir atrás de uma carreira no exército é bem explorada, mas de um modo que não força muito na consciência, sua insegurança é mais pelo inesperado e pela mudança que essa escolha vai causar em sua vida. Uma mensagem para muita gente que cobra os milenials de serem aquilo que os pais deles foram quando tinham a mesma idade. As oportunidades são outras, o mundo é outro e os valores e referências vão acompanhar esse modo de viver. Um bom curta-metragem com performances naturais que quase não parecem ensaiadas, e principalmente a dinâmica dos amigos que se esbarram durante projeção se torna cada vez mais genuína.
Nota:

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