Platoon

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"Platoon" altera para sempre a forma como se pensa a guerra.

Desde o fim da Guerra do Vietnã no início dos anos 1970, vários filmes tentaram capturar um ou mais aspectos do conflito americano mais contestado do século XX. Desta safra, três se destacam: o às vezes brilhante, às vezes desconexo “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola, o empolgante “O Franco Atirador”, de Michael Cimino, e o punitivo e pessoal “Platoon”, de Oliver Stone. Desse trio, o de Stone é o mais angustiante e, consequentemente, o mais eficaz. Se “Apocalypse Now” e “O Franco Atirador” são como tapas na cara, “Platoon” é um soco no estômago.

“Platoon” foi o primeiro de três filmes de destaque a entrar em cena durante um período de nove meses. Logo após o longa de Stone, que chegou aos cinemas em dezembro de 1986, estreavam “Nascido para Matar”, de Stanley Kubrick, e “Hamburger Hill”, de John Irvin. Ambos foram filmes eficazes, mas nenhum chegou perto de capturar a essência do que “Platoon” alcançou, segundo as críticas. Aqueles que estavam no Vietnã descreveram “Platoon” como um “flashback”. Aqueles que nunca estiveram lá obtêm uma descrição vívida com ele.

“Platoon” é semi-autobiográfico. Stone serviu como soldado de infantaria no Vietnã, e inseriu muitas de suas experiências no filme. Os personagens principais são baseados em indivíduos com quem Stone conviveu. O protagonista, Chris Taylor (Charlie Sheen), representa o cineasta. Alguém poderia argumentar que a razão pela qual “Platoon” é tão bom é porque tem um significado profundamente pessoal para o diretor. Consequentemente, suas tendências de ter uma mão pesada na direção e gostar de se exibir, que prejudicaram alguns de seus outros trabalhos, não estão tão em evidência aqui. Não há deslumbramento – apenas uma narrativa básica e poderosa.

“Platoon” não é um filme político. A política está toda em segundo plano. O filme não se preocupa com os erros ou acertos de se estar no Vietnã. Essas coisas são abstratas. Ele é sobre coisas mais mundanas: sobreviver para ir de uma luta para outra, contar os dias até que uma missão termine e viver cada momento com o Anjo da Morte pairando sobre sua cabeça. Os vietcongues são os inimigos – não porque sejam comunistas, mas porque atiram para matar. “Platoon” oferece o ponto de vista do soldado, não do oficial, do estrategista ou do político, o que o torna ainda mais cru e audacioso.

O filme ilustra, com detalhes inabaláveis, o poder desumano da guerra. Barnes, um dos personagens do longa, é a máquina de matar perfeita. Em sua opinião, as atrocidades são justificadas se forem alcançadas e terminadas. Fora do Vietnã, ele não existiria. Ele seria um desajustado que faria Rambo parecer inocente. Nesse ponto, Chris entra na história como um inocente imaturo, mas, antes do final do filme, ele perde o controle e se torna um assassino tão eficiente e estúpido quanto Barnes. É o que a guerra pode fazer com as pessoas.

Após uma filmagem de três meses nas Filipinas, Stone tinha tudo que precisava. Assim que “Platoon” ficou pronto, os atores concordaram em duas coisas: eles haviam acabado de participar de um projeto significativo e odiavam Stone. Por fim, isso não impediu a maioria deles de trabalhar com ele novamente. Sheen voltou logo em seguida, em “Wall Street – Poder e Cobiça”, e outros apareceram em “Nascido em 4 de Julho”.

“Platoon” é o primeiro capítulo da chamada “Trilogia do Vietnã”’ de Stone, que também inclui “Nascido em 4 de Julho” e “Entre o Céu e a Terra”. Mas nenhum dos dois fez tanto sucesso quanto o primeiro. “Platoon” é um daqueles filmes que, uma vez visto, nunca mais será esquecido e, pelo menos para quem não esteve no Vietnã, altera para sempre a forma como se pensa a guerra.

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