Prejuízo

13.01.2017 │ 18:13

13.01.2017 │ 18:13

No interior da França, em uma casa de família esplendorosa, de 3 andares e um jardim invejável – para a qual confesso olhar pensando no trabalho que dá para limpar – desenrola-se a história de um jantar interrompido pela persona non grata da família, Cédric (Thomas Blanchard), o filho de uma certa idade que ainda vive com os pais.

Comparecem ao jantar Caro – apelido para Caroline – (Ariane Labed) e seu marido, Gaetan (Éric Caravaca), além de Cyrielle (Cathy Min Jung) e o filho pequeno Nathan (Arthur Bols), que aguardam Laurent (Julien Baumgartner) retornar do trabalho para juntar-se a eles. Alain (Arno), o pai, e a mãe (Nathalie Baye), cujo nome não é revelado, movimentam-se para recebê-los administrando o fato de Cédric ter saído do quarto.
Inicialmente, não entendemos muito bem o que se passa com este filho em especial, a impressão é de falta de trato social, algum tipo de distúrbio comportamental. Mas é palpável a sensação de receio e medo para com o filho, seja dos pais, dos irmãos ou dos cunhados. Esse “preconceito” de que se fala no título original vai aos poucos sendo desvendado, tornando o espectador uma mera testemunha de algo que vem acontecendo há anos, a luta dessa família com a paranoia de Cédric, sua habilidade de falar palavras dolorosas, sua demanda constante de atenção.

Neste filme de Antoine Cuypers, a trilha sonora contribui para o clima de tensão mantido em todo o filme. Ela consegue traduzir a sensação de arrepio na nuca e aquele frio na barriga de que algo muito ruim pode acontecer. O tempo todo o espectador pisa em ovos, aguardando o que virá como reação a seguir.
Os atores fazem um belo trabalho representando uma conexão familiar e o cansaço e o amor envolvidos por trás de tamanhos cuidados com alguém que apresenta uma condição especial, que demanda uma paciência particular. Nathalie Baye brilha como a mãe, a figura odiosa aos olhos do filho, porém no fundo terna e sensata; Thomas Blanchard faz um Cédric perfeito, um personagem que cativa o público por sua vulnerabilidade, mas que ao mesmo tempo desperta um medo, refletindo o que a família demonstra sentir (ou tenta esconder). Aproveite o festival My French Film Festival para desvendar os sentimentos por trás das relações dessa família francesa.
Nota:

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