Rainha e País

25.06.2015 │ 12:56

25.06.2015 │ 12:56

O diretor inglês John Boorman retorna, 27 anos depois, com “Rainha e País” (Queen and Country, 2014), anunciado como sequência do seu premiado filme “Esperança e Glória” (1987) em que se utilizou da ficção para contar suas próprias experiências através do olhar infantil de um menino diante da frieza ao som de bombas da Segunda Guerra Mundial.
Em “Rainha e País” o alter ego de Boorman, o jovem Bill Rohan, agora tem 18 anos e vive os primeiros anos da década de 50. A Inglaterra saiu da segunda grande guerra e em poucos anos volta a se aliar com os EUA na Guerra da Coreia. Rohan aparenta esperar com ansiedade o chamado do exército e defender, como bem define o título, a “rainha e o país”. Mas chegando no quartel ele se depara com nenhum tipo de glória e sim com pilhas de ordens e atividades burocráticas que aparentarão serem tarefas menos árduas ao lado do amigo Percy. Bill e Percy viverão momentos divertidos e alguns dramas particulares no período em que dividem o mesmo quarto e uma forte amizade. Em meio à garotas, paíxões, peripécias, sargentos embrutecidos e a espera de um chamado para o front, “Rainha e País” tenta mostrar como a guerra afeta toda uma sociedade que fica à espera de um desfecho.
Infelizmente, a sequência “Rainha e País” parece ter sido feita apenas para os iniciados no filme anterior. O roteiro se apresenta desconexo, deixando os personagens sumirem sem mostrarem a que vieram. Mesmo Bill, aqui interpretado por Callum Turner (série “Os Bórgias”) se torna apenas um coadjuvante imaturo e dramático. O espectador apreende com certa dificuldade o que se passa entre os personagens apresentados. O exagero nas atuações levam a crer que Boorman fez isso de forma proposital, talvez para trazer à tona alguma essência do teatro e do pastiche. O personagem Percy, interpretado por Caleb Landry Jones, exagera no tom de sua irreverência inúmeras vezes, sendo que na metade do filme ele já se torna enfadonho e entediante diante de suas explosões.
Um dos pontos interessantes – uma pena que sejam poucos – é a forma humorada e irônica em que o diretor trata as obrigações e burocracias vividos dentro do exército. Apesar de ser um filme essencialmente de guerra, ele se deixa levar através das vidas afetadas pelo evento, a espera dos soldados em serem chamados e a forma em que todos agem – ou deixam de agir – respeitando uma bandeira ou a figura icônica do rei/rainha.
Para Bill Rohan, deixar a sua casa e a vida pacata em uma pequena ilha inglesa, não é apenas uma questão de honra para com o país, mas um patamar necessário para que se considere um adulto. Por ter crescido durante a Segunda Guerra, talvez, o jovem Rohan encara a ida para o quartel, e supostamente a guerra, como um grande evento divertido. O olhar deslumbrado e animado que Callum Turner empresta à Bill de fato dá um tom de inocência à trajetória do protagonista, um dos aspectos que aliviam a superficialidade no desenvolvimento dos outros personagens.
“Rainha e País” é um bom exemplo de que uma obra-prima de um diretor quase sempre não precisa de uma tentativa de desenvolvimento, cada obra é completa dentro de seu espaço-tempo. Talvez John Boorman tenha se sentido em dívida com a sua história, mas definitivamente o pequeno Bill Rohan podia ter vivido com sua esperança e glória e deixado a rainha e a Inglaterra para lá.

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