Resenha │ A Colina Escarlate

16.10.2015 │ 12:40

Ela acorda assustada. Ouviu um grito. Ou serão os canos da velha casa rangendo, ou talvez o vento assobiando por entre as frestas? Ela se levanta e de candelabro em punho vai investigar a casa. Sua aparência é meio fantasmagórica (seria a camisola branca ou sua pela pálida e seus longos cabelos loiros?), e ela parece frágil e pronta para sair correndo ao menor som. À sua frente, o corredor escuro a devora a cada passo. E…

Ahh, tá reconhecendo a cena, né? Pois é, filmes de terror com casas mal-assombradas existem aos montes, e são todos muito parecidos. Terror em Amityville, Atividade Paranormal, A Mulher de Preto e Invocação do Mal são alguns exemplos recentes, mostrando lugares que fazem seus ocupantes ver coisas, sofrer e, na maior parte das vezes, os obrigam a cometer crimes. Tem também os filmes com hotéis mal-assombrados, como O Iluminado e 1408, e tem orfanatos, casas de verão na floresta, entre tantos outros. Ou seja, qualquer coisa envolvendo uma casa de aparência duvidosa, com um passado sangrento e cheia de segredos que correm com o ventos por seus corredores já não cola mais. É uma fórmula de terror esgotada, ponto. Ah, é? Guillermo del Toro, de O Labirinto do Fauno, acabou de provar com muito sangue e neve, em A Colina Escarlate, que estamos redondamente enganados.

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Primeiro, este filme é muito mais que uma simples história sobre uma casa mal-assombrada. A casa é muito incrível, pode até ser considerada um personagem bem importante em cada um de seus detalhes muito bem pensados e executados, mas seus habitantes e suas intrigas, segredos e paixões são de deixar qualquer um sem dormir por uma semana. E tudo começa quando o sedutor Thomas Sharpe (Tom Hiddleston, sim, suspirem, ladies!!) deixa a determinada jovem americana Edith Cushing (Mia Wasikowska) completamente embasbacada (quem não ficaria??), e eles se casam depois que ela perde o pai, e eles vão morar, juntamente com a estranha irmã do galã, Lucille Sharpe (Jessica Chastain), na mansão da família em Londres. O lugar é incrível, claro, se você não ligar pro baita buraco no teto, e pra ferrugem, e a tinta descascando… Ah, e não dá pra esquecer de mencionar que a mansão está sentada sobre um lamaçal de cor vermelho-sangue, e que quando neva parece que alguém cortou o dedo e saiu correndo como louco por todo lado. E pra ajudar, Edith começa a ver coisas na casa, e o trabalho de detetive a leva a descobrir uns segredinhos bem amargos e indigestos.

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É, Guillermo del Toro não desapontou mesmo. Com seu terror fantástico (nas duas acepções da palavra!), ele impressionou mais uma vez. O Labirinto do Fauno já tinha sido muito diferente de tudo que tem pintado na telona em termos de terror nos últimos anos, e A Colina Escarlate não poderia ser diferente. A história apresenta novas nuances a cada esquina que a câmera vira na velha casa, e você fica intrigado até o último minuto tentando entender o que está acontecendo. As atuações estão excelentes (e Chastain já entra chutando o balde, vestida de vermelho e com um enorme anel, também vermelho, tocando piano, e apresentada lentamente para a câmera). E em termos de susto, sim, o filme entrega. Volta e meia você dá um pulo com algo que não estava esperando, e algumas cenas te deixam sem poder olhar pra tela (show!!).

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Filme de terror com história, ótimas atuações, sustinhos básicos e gore? Horay! Que mais você espera de um filme de terror, meu caro fã de um gênero desgastado e sedento por coisas novas? Nada, lógico, tá tudo aí. Tudo que tá faltando agora é você garantir o ingresso pra quinta-feira (não vai dormir no ponto e ficar sem!), compre muita pipoca e refrigerante, garanta uma companhia básica pra poder segurar na mão quando você estiver com medo (nem que seja só pra pegar na mão mesmo) e bom filme 🙂

Nota:

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A Colina Escarlate

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