A Travessia │ Resenhas: Quadro por Quadro

Resenha │ A Travessia

06.10.2015 │ 09:31

Em 7 de Agosto de 1974 o artista Philippe Petit realizou um feito extraordinário: cruzou o vão entre as Torres Gêmeas do World Trade Center, a mais de 400 metros de altura, equilibrando-se em uma corda-bamba, sem dispositivos de segurança. A Travessia narra a real história de Petit (Joseph Gordon-Levitt, ator, roterista e diretor de Como Não Perder Essa Mulher) e como ele realizou o sonho que planejava fazia seis anos.

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Tudo começou na França: ainda criança, Philippe descobriu o gosto pela corda-bamba. O malabarista se apresentava nas ruas de Paris, quando soube da construção dos arranha-céus, e onde conheceu Annie (Charlotte Le Bon, de A 100 Passos de Um Sonho), a primeira incentivadora de seu projeto, uma estudante de Artes que tocava violão nas ruas do Quartier Latin. Papa Rudy (Ben Kingsley, de Homem de Ferro 3), artista e proprietário de um circo, se tornou seu mentor, auxiliando-o a aperfeiçoar sua técnica. Esta primeira metade do filme é narrada em um tom fabuloso, parcialmente em preto e branco, retratando o imaturo desenvolvimento do malabarista.

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Após partirem para Nova Iorque, Petit, Annie e mais dois amigos franceses iniciam a execução do meticuloso plano, e para isso, recrutam outros quatro comparsas locais. Após munirem-se de equipamentos e estudarem sorrateiramente o acesso aos prédios, chega o dia da travessia ilegal. É neste momento que o filme ganha um tom mais sóbrio, urgente. O expectador passa a participar da tensão eminente que culminará na demonstração do feito, possível com o emprego de tecnologia de ponta em computação gráfica para retratar as torres destruídas no fatídico 11 de Setembro, a vertigem da altura no topo dos edifícios e a poética do artista, que nunca deixou de sonhar.

O experiente diretor Robert Zemeckis (trilogia De volta Para o Futuro, Forrest Gump: O Contador de Histórias e O Voo) envolve a platéia em sua fábula fazendo uso da quebra da “4a. parede”— recurso também utilizado em teatro e nos circos, onde Petit se aperfeiçoou — no qual o ator/narrador conversa diretamente com o público, articulando tensão, um elenco competente, efeito especiais e uma boa trama num filme de tirar o fôlego.


O grande destaque cabe a Gordon-Levitt, um ator que desenvolveu sua careira através de projetos peculiares e também autorais. No início da projeção, chegamos a questionar o forçado sotaque francês e os falsos olhos azuis, mas logo somos seduzidos pela paixão que o ator impõe em sua interpretação. Levitt mais uma vez se expõe como um dos mais promissores atores de sua geração.

Nota:

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A Travessia

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