Resenha │ A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

30.03.2017 │ 08:14

Em A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell, a mente e a alma de uma garota são extraídas, preservadas e realocadas em um novo corpo, elegantemente desenvolvido, tecnologicamente avançado. Isso aprimora suas habilidades originais mas tem algum custo para a sua identidade. Essa é a premissa do cultuado mangá criado por Masamune Shirow em 1989, mas também uma descrição suficientemente adequada do que acontece na adaptação live-action do diretor Rupert Sanders (Branca de Neve e o Caçador).
O filme honra o espirito e a estética também das adaptações animadas sem ser um cosplay sem alma. A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é um entretenimento inteligente, belamente maquiado com o visual interessante do original – mesmo que parte do espírito misterioso e melancólico do original não tenha se transferido para a nova carapaça.

No filme, num mundo pós 2029, cérebros se fundem facilmente a computadores e a tecnologia está em todos os lugares. Motoko Kusanagi, conhecida como Major (Scarlett Johansson), é uma ciborgue com experiência militar que comanda um esquadrão de elite especializado em combater crimes cibernéticos.
“Não somos definidos por nossas lembranças. O que fazemos é o que nos define”. Esta fala é repetida no filme como um mantra para a Major. Mas a fala soa também como um tapa na cara de quem reclamou que a refilmagem americana deveria ter uma atriz asiática no papel concebido para Johansson, e que lhe cai como uma luva.

Sanders vai mais longe do que conseguiu com o seu Branca de Neve e o Caçador em 2012. Ele faz uso de algumas imagens do anime de 1995 (leia sobre aqui) como base para contentar os devotados fãs, e essa parece a decisão acertada e que dita o ritmo desenfreado desta adaptação complexa.
Mais uma vez o cenário é “New Port City”, uma espécie de megalópole asiática que parece misturar Tóquio, Hong Kong e Blade Runner. O futuro, no entanto, nunca pareceu tão colorido e cheio de hologramas como aqui (o que vai dificultar para os designers de produção da sequência de Blade Runner superar este ano).

A missão simples da Major é simples, mas vai se complicando na medida que sua própria tecnologia começa a vacilar e falhar. Através desta fragmentação ela começa a ter sugestões sobre sua história passada, a qual ela não reconhecia.
Revelar mais seria entrar em terreno cheio de spoiler, mesmo para quem já conhece um pouco da história do Ghost in the Shell original. Basta dizer que os roteiristas Jamie Ross, William Wheeler e Ehren Kruger distinguiram o novo filme de seus predecessores com um foco maior na história passada da Major Motoko Kusanagi. Johansson tem a experiência necessária para trazer humanidade ao personagem não-humano que representa.

Ainda assim, é como espetáculo visual que A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell funciona melhor. Uma maravilha digital sucede a outra. O design de produção juntamente com a fotografia e os efeitos visuais impressionantes criam a miséria distópica da obra original com maestria.
Mais um exemplo da busca de Hollywood por uma fonte confiável para angariar alguns dólares na bilheteria, A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell é uma bela adaptação ao material original. Não se atreve muito na adaptação, mas não era isso que se esperava?
Nota:

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A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

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