Resenha │ Aliados

16.02.2017 │ 10:41

Robert Zemeckis é um dos cineastas mais diversos em sua filmografia e também não é injusto dizer que ele tem certa paixão pela tecnologia por trás da coisa toda. Em quase 4 décadas de carreira, ele já fez caricaturas do mundo real (Uma Cilada para Roger Rabbit), inseriu atores em notícias clássicas (Forrest Gump – O Contador de Histórias), tornou-se especialista em captura de movimentos (O Expresso Polar e A Lenda de Beowulf) e usou e abusou dos efeitos 3D para desafiar a morte e a vertigem do público para atravessar o World Trade Center (A Travessia). Às vezes, porém, Zemeckis faz um filme que lembra o quão bom ele é na direção, mesmo trabalhando à moda antiga.
Aliados, estrelado por Brad Pitt – como um oficial da inteligência canadense – e Marion Cotillard – como uma integrante da resistência francesa –, que se unem para uma missão durante a Segunda Guerra Mundial (e, é claro, se apaixonam), é um thriller de espionagem envolto num romance estiloso que parece até um filme realizado na década de 40. É um filme cheio de nazistas, lustres, aviões e figurinos impecáveis.

Mas quanto à moda antiga Aliados realmente é? Ele é tão saudosista que o primeiro ato do longa é todo ambientado em Casablanca – e sim, é uma Casablanca que lembra muito aquela Casablanca do filme de 1942 com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.
Na cena de abertura, Max (Pitt) desce de paraquedas nas dunas alaranjadas do deserto marroquino e chega ao labirinto de paredes brancas e sombrias da cidade. Uma vez lá, ele precisa fingir ser o marido de Marianne (Cotillard), que vagueia por casas noturnas tentando se conectar com os associados do governo que trabalham com os nazistas.

A fotografia e o figurino são luxuosos e colaboram para a aproximação do casal. Quando Max aparece pela primeira vez na frente de Marianne, os dois se abraçam como se fossem os mais íntimos pombinhos apaixonados mesmo sem nunca ter se encontrado: um ótimo começo. De volta ao seu apartamento, eles definem as regras para fazer essa “relação” funcionar e a missão ser cumprida.
Essa é a maneira elaborada do filme construir a relação entre os dois. Pitt e Cotillard se conectam facilmente. Ela age com uma astúcia leonina e desarma um conquistador como Max.

O casal se dá bem junto porque esses espiões compartilham uma consciência quase desonesta do que está acontecendo no mundo daquele período sombrio. A sua missão consiste em conseguir um badalado convite para uma festa do embaixador alemão, e a cena onde eles conseguem o convite está impregnada de tensão. Mas a festa em si é ainda melhor. Zemeckis nos mantém no escuro sobre o que exatamente se trata a tal missão e, quando nos revela, há uma catarse ardente que sela o amor do casal. Como não poderia? Um casal que faz coisas explosivas junto permanece junto (que o diga Sr. & Sra Smith).
Zemeckis faz uso brilhantemente da cinematografia de Don Burgess (Náufrago), que emoldura esse evento com uma precisão suave – uma fusão entre ação e sentimentos que te fisga. No entanto, é tudo um grande pedestal para a segunda metade do filme, que é situada num subúrbio de Londres, onde Max e Marianne, agora casados e com uma criança, estão fazendo as coisas que acham possíveis para viver uma vida doméstica aconchegante mesmo em meio à guerra.

Mais do que isso é spoiler. Mas Zemeckis constrói a tensão através da persona de Marianne e cabe a Max descobrir a verdade e ele o faz com obstinação, paixão e truques imperturbáveis de alguém cuja própria existência depende da resposta.
Aliados é tenso e absorvente e, além disso, inspira a maioria das reações de filmes antigos. Você se apaixona, você se envolve e você gruda na poltrona esperando o desfecho de mais um casal noir que tem tudo para não ter um final tão feliz assim.
Nota:

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Aliados

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