Resenha │ Amor e Monstros

17.04.2021 │ 13:53

Amor e Monstros é uma jornada de crescimento que não se leva a sério, e pode encantar, até certo ponto.

Para o bem ou para o mal, nos últimos anos a Netflix passou a ser conhecida majoritariamente pela quantidade e, por vezes, não pela qualidade dos filmes que libera em sua plataforma. Sem dúvidas, existem exceções que se destacam entre diversos clichês de gêneros já desgastados ou mal empregados pelo roteiro, os quais contribuem para uma continuada sensação de “sessão da tarde” para muitas de suas produções, Amor e Monstros não foge desta convenção, por outro lado não deixa de encantar com seus pontos fortes.

Para a felicidade de um espectador capaz de exercitar sua suspenção da descrença (tema que inclusive é cabível de ter seu próprio artigo) com facilidade, o filme de Michael Matthews não apenas diverte, como leva o espectador para uma fábula pós-apocalíptica repleta de referências cinematográficas e, até mesmo, do mundo dos jogos, sobre um amor de um protagonista inocente, traumatizado e otimista, por uma garota com a qual perdeu contato a 7 anos.

Joel, interpretado por Dylan O’brien, em uma performance capaz de aprofundar um personagem simplório, tem seu nome, não por acaso, igual ao protagonista do multipremiado The Last of Us, referência que se intensifica no segundo ato do filme, com a apresentação de uma dupla de coadjuvantes.

Mas não só de uma referência vive Amor e Monstros, os olhos mais atentos e os fãs de diversas plataformas de entretenimento, vão se deleitar com detalhes e frases remetendo a clássicos como: Alien, o 8º Passageiro, a franquia de jogos Fallout, entre outros.

Acompanhando uma jornada de amadurecimento e, até mesmo, aceitação, somos recebidos, porém, por embalagem multicolorida e extremamente, bem-humorada, o que, hoje em dia, é raridade entre filmes do gênero pós-apocalíptico, conhecidos por sua densidade, neste ponto, a produção da Netflix, encontra seu ponto mais positivo.

Entre outras felizes surpresas de Amor e Monstros, estão seus monstros (der), os quais, inclusive, concorrem ao Oscar de melhores efeitos visuais, e com razão, além de seu trabalho com personagens secundários memoráveis, que guiam, e conduzem, Joel rumo a sua garota, seu passado, e seu futuro, o que, inclusive, só é possível por causa de sutis citações a lugares e pessoas, as quais enriquecem esse universo lúdico.

A queda acontece no terceiro ato quando, apesar de ciente de seus clichês e convenções ao longo de toda sua duração, o roteiro se contenta com caminhos simples e já não funcionais. Embora clichês sejam clichês por um motivo, existem aqueles que poderiam ser deixados de lado, e não fariam muita falta. Juntamos isso a apresentação tardia de um conflito e seu clímax, até certo ponto funcional, mas que poderia ter dado espaço a um desenvolvimento muito mais interessante, a temas como: família, regresso, e superação de uma amarra com o passado, e temos um desfecho no nível que a produção merecia.

Amor e Monstros é com certeza uma produção Netflix, contudo é uma que vale a pena conferir caso você esteja em um momento de tranquilidade e desprendimento. Neste mundo pós apocalíptico, você não vai encontrar problemas com falta de armamento, munição ou suprimentos, mas sim bom-humor, aventura, e um dos cachorros mais carismáticos do cinema atual.

Amor e Monstros

(Love and Monsters)
País: EUA
Direção: Michael Matthews
Roteiro: Brian Duffield, Matthew Robinson
Elenco: Dylan O'Brien, Jessica Henwick, Michael Rooker
Ano: 2020
Duração: 1h49

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