Resenha │ Desventuras em Série – 1ª Temporada

15.01.2017 │ 11:35

Olhe para o outro lado, mude de canal ou desligue a TV se você não quiser presenciar uma série de infortúnios e melancolias que rondam as vidas dos irmãos Baudelaire. Desventuras em Série, adapta os livros criados por Daniel Handler e chega à Netflix em 8 episódios que contam as histórias de 4 livros. Para quem não conhece as obras, provavelmente já assistiu ou ouviu falar sobre a adaptação que foi feita para o cinema em 2004 com Jim Carrey no papel no ator vilanesco Conde Olaf. Mesmo o filme de Brad Silberling não tendo se encaixado muito bem neste formato, é de se reconhecer o talento e a associação imediata da personalidade humorística de Carrey com o personagem cartunesco e exagerado de Olaf, fato que pode assombrar a reincarnação do vilão, agora por conta de Neil Patrick Harris (How I Met Your Mother).

Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith), ficam órfãos após a suposta morte de seus pais em um incêndio na mansão da família, a partir daí, os irmãos são designados a morar na casa de seu tutor e parente mais próximo, o ator decadente interpretado por Harris, que tem como objetivo roubar a fortuna herdada pelas crianças. Ao longo de sua estadia com o novo tutor, inúmeros abusos e distratos são cometidos pelo Conde e os irmãos tentam de toda forma se ver livres do tutor enquanto descobrem alguns mistérios que envolvem seus pais.

Em termos de história e adaptação de roteiro, a série ganha muitos pontos e entrega com muita qualidade um desenvolvimento merecido para as obras peculiares publicadas no papel. Falando em peculiar, é difícil não comparar a série com o estilo do cineasta Tim Burton, tanto na estética quanto na direção de atores. A direção de arte porém, é uma das mais criativas do serviço de streaming até então, com um interessante contraste de cores que simboliza muito bem a melancolia sugerida e também os pontos de cores que identificam pistas e detalhes que podem passar despercebidos para os desatentos. Mas os efeitos visuais e especiais nas cenas da bebê Sunny, causam uma má impressão que acaba eliminando todos os pontos positivos criados pelo restante da produção, as cenas com bebês geralmente são complicadas de serem realizadas, mas nesse caso, as habilidades de Sunny são resolvidas de uma maneira muito falsa e acaba perdendo o encanto do universo criado.

Desventuras em Série desconstrói por essência, qualquer expectativa de uma produção normal em que se aguarda um final feliz. Não se iluda, não é esse o rumo da história, ela apenas cria conforto no sofrimento dos Baudelaire com uma abordagem divertida e caricatural para disfarçar a experiência triste vivida pelos irmãos e, com isso, transforma os episódios em leves contos teatrais com inserções de números musicais cantados pelos atores. Por fim, o programa é cansativo em vários momentos e exagera quando não deve e retrai quando deveria explodir, principalmente nas nuances de performance de Neil Patrick Harris. Perfeito para o formato proposto pela Netflix, mas enjoativo por se tratar de um visual tão seletivo e nichado. Um meio termo entre divertimento e desventuras.
Nota:

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Desventuras em Série – 1ª Temporada

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