Resenha │ Hestórias da Psicanálise – Leitores de Freud

16.09.2016 │ 08:23

Anos depois de os irmãos Auguste e Louis Lumière inventarem o cinematógrafo, em 1895, é a vez de Freud trazer à luz a teoria sobre os sonhos. Nesse texto, a descrição do aparelho psíquico como microscópio, telescópio ou aparelho fotográfico, não fosse pela metáfora, poderia também compará-lo a uma filmadora. E foi daí que se originou a ambiguidade sempre presente no discurso dos analisantes: filme, por sonho.
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Se a Psicanálise utilizou, desde o início, conceitos óticos, aconteceu que o cinema também manipulou conceitos psicanalíticos em seus cenários. Ou seja, o cinema ou a psicanálise não poderiam ter surgido em outro espaço de tempo. Não foi por acidente que o desenvolvimento do método analítico de Freud, de revelar o até então invisível território da psique humana, coincidiu com uma tendência geral nas artes em revelar intimidades e neuroses, que o século anterior não tivera meios de descrever.
Sendo assim, percebemos que a Psicanálise é indissociável as Artes, mas no filme de Francisco Capoulade, Hestórias da Psicanálise – Leitores de Freud, essa ligação tênue está rompida por uma sequência praticamente ininterrupta de entrevistas. Os depoentes do documentário são expertises na ciência da Psicanálise, entre eles estão André Carone, Lya Luft, Terêncio Hill e outros, em sua grande maioria Doutores e Mestres, amantes da psicanálise e extremamente qualificados para expor o atual “estado da arte”.
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Ao iniciar esse projeto, Copoulade declarou que a força locomotiva era aproximar Freud do público, mas à que publico ele estava se referindo? Se o objetivo era alcançar a academia, ele teve êxito, pois a psicanálise apresentada continua seguindo o mesmo padrão estereotipado e elitista, não cabível nas conversas de boteco ou papo entre amigos.
Freud teve uma imensa preocupação com seu interlocutor no decorrer de toda sua obra, utilizando-se de múltiplas linguagens, com explicações minuciosas, ricas em exemplificações artísticas, como Goethe, Michelângelo, Da Vinci, qualidade está enaltecida pelos depoentes, todavia não adotada pelo diretor na produção do filme. Hestórias da Psicanálise – Leitores de Freud é didático, porém necessita de outra linguagem para se tornar uma obra artística.
Nota:

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Hestórias da Psicanálise – Leitores de Freud

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