How To Get Away With Murder - 3ª Temporada │ Resenhas: Quadro por Quadro

Resenha │ How To Get Away With Murder – 3ª Temporada

24.02.2017 │ 16:47

How To Get Away With Murder é uma daquelas séries que te envolve com um enredo arrasador e um elenco que segura muito bem as pontas para entregar um real drama ou situações exageradas que beiram a comédia ou o puro deboche. Na primeira temporada, a novidade de uma história baseada em assassinato e pessoas dispostas a encobertar todos os crimes, seguia muito os passos dramatúrgicos de outras séries da produtora Shonda Rhymes, como Scandal e Grey´s Anatomy. Após a estreia, havia uma dúvida sobre a continuidade e a criatividade para seguir com a série que parecia muito boa para conseguir se superar, eis que a segunda temporada provou que havia muita possibilidade por trás dos protagonistas. Há muito que se comparar com as marcantes novelas da TV Globo que chegaram a parar o país, como Avenida Brasil, Celebridade e Verdades Secretas. A arquitetura do roteiro de apresentar uma superfície da trama e, soltar aos poucos, as gêneses mais profundas dos personagens até que eles mudam de figura, passando de bonzinho para malvado e de sonso para espertalhão. Todas essas evoluções e a maneira como o texto segura o espectador, são brilhantes e conversam com um público bem amplo.

Como de praxe, a terceira temporada começa tentando desvendar mais um assassinato, mas o que a gente não esperava, era que além disso, um dos alunos de Annalise Keating (Viola Davis) também estaria morto, e com a ferramenta da linha do tempo e flashbacks conhecidos já pelos fãs, os episódios aumentariam ainda mais o mistério em torno de todo esse enlace, prometendo uma das maiores tragédias que a série já viu até então. A casa de Keating em chamas simboliza exatamente tudo isso, uma destruição emocional completa de todos os envolvidos por esses crimes que os consomem desde o primeiro episódio e pela perda de um de seus integrantes sem um suspeito concreto.

Alguns parênteses ainda ficaram muito mal explicados, como a confissão de Wes (Alfred Enoch) e a soltura de Annalise da cadeia tão repentinamente. Além do assassinato em questão, que por mais que seja desvendado, o seu confronto foi guardado para a quarta temporada. Uma questão interessante das relações interpessoais que se estabelecem na trama é que todos eles são forçados a se unir para que cada um desses pontos se liguem, mesmo quando isso não acontece, a dinâmica de trabalho é bem similar com uma casa tradicional, temos os filhos, a mãe, uma governanta e um faz-tudo. Todos tiveram um destaque muito bem dividido em cena, e até Oliver (Conrad Ricamora) ganhou mais espaço por muito merecimento.

A série sabe muito bem entreter e nivelar qualidade com publicidade. Além de conversar com todo tipo de público e misturá-lo numa salada mista com a latina Laurel (Karla Souza), os negros Wes e Michaela (Aja Naomi King), o mauricinho Asher (Matt McGorry) e os gays Connor (Jack Falahee) e Oliver, ainda há espaço para os romances mal resolvidos e também aqueles amores breves bem novelescos, que não recebem bem o primeiro “eu te amo”. Dessa vez, portanto, as gracinhas e risadas são provocadas em momentos muito oportunos e não tira a tensão e peso que a temporada propõe. Nesse ponto, todos são suspeitos e a confiança da turma com Annalise está finalmente aos cacos.

Importante ressaltar a âncora do programa, Annalise, que carrega traumas e perdas que construíram sua persona desde a temporada anterior, e molda com traição e manipulação essa nova leva de corruptos com seu temperamento implacável e sua relutância em enxergar seus erros, porém dessa vez tudo isso tem uma consequência que já era aguardada e sua cabeça é posta a prêmio. O objetivo da personagem que se entrega ainda mais ao alcoolismo, é de realmente dizer que o mundo é defeituoso e as pessoas o tornam ainda piores. Ainda que emotiva, nada que se compare com as lágrimas da segunda temporada, mesmo assim, essa nova história consegue ir até o fundo da tensão e concluir o ciclo de mãe e filho criados entre Wes e Annalise. Ainda mais forte e mais intensa, How To Get Away With Murder ainda promete muitas reviravoltas e assassinatos para a gente se safar.
Nota:

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How To Get Away With Murder – 3ª Temporada

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