Resenha │ Informe Geral II: O Novo Roubo da Europa

10.06.2016 │ 11:10

Eu admito: não entendo muito de política, mas entendo o suficiente para ter meu próprio posicionamento! Dito isto, Informe Geral II: O Novo Roubo da Europa pode ser visto como uma aula de política espanhola, mas os paralelos que traçamos com a situação de nosso país são tão grandes que chegam a ser assustadores.
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O novo filme de Pere Portabella, talvez um dos poucos cineastas que entendeu e praticou o cinema como uma ferramenta política e artística voltada ao conhecimento, diálogo e intervenção no mundo, conversa diretamente com o seu filme de 1976, Informe General Sobre Algunas Cuestiones de Interés Para una Proyección Pública (Informe Geral Sobre Algumas Questões de Interesse Para uma Projeção Pública, em tradução literal).
O filme de 1976 era uma fotografia da incipiente transição da ditadura para o que os espanhóis acreditavam que seria uma democracia. Importante em seu momento, essencial e quase imprescindível, nos dias de hoje, pela perspectiva proporcionada pelo tempo e para entendermos o que estava em jogo naquele momento e o que foi deixando para trás.
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Informe Geral II não é um filme mais fácil do que o primeiro. Ele compartilha, com sua primeira parte, da vontade de retratar um momento essencialmente difícil, de mudança, um terremoto, uma espécie de nova ordem. Quem consegue fotografar um deslizamento de terra estando nele e mantendo a câmera firme esperando que a fotografia não saia tremida? Esse é o desafio de Portabella, acompanhar e entender uma mudança no momento preciso em que ela ocorre, e sem saber de fato para onde ela está indo.
Acusado de frieza e até com agressividade, o filme parece tomar um lado na questão e se mostra assumidamente parcial. Mas em tempos de mídias ditas imparciais e que apoiam golpes, ver algo que se assume como o é nos faz acreditar que se tivéssemos um pouco mais de conhecimento sobre a nossa própria história não estaríamos passando pelo momento atual.
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O filme acerta ao mostrar que o processo de mudança vivido pela Espanha é muito mais que uma mera retransmissão política, e que esta mudança vai além, nos alicerces da sociedade espanhola. Começando por repensar a instituição museu, como um artefato do século XIX e sua relação com o mundo, o filme vai passando por temas como política, movimentos sociais e culmina na ciência. Porque a mudança, como sugerida por Portabella, é horizontal, transversal e global, e se move ao redor das antigas estruturas organizacionais de poder e de pensamento.
É por isso que a câmera está sempre circulando as discussões, tentando filmar os diferentes aspectos desta nova realidade. Uma realidade não só espanhola, mas mundial, a qual devemos ficar atentos e esperar que afetem o nosso cotidiano. Para melhor, de preferência, não do jeito que está acontecendo por aqui!
Nota:

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Varilux

Informe Geral II: O Novo Roubo da Europa

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