Resenha │ Na Vertical

06.06.2017 │ 18:54

“Você já pensou em uma carreira nos cinemas?”. É a primeira fala de Léo (Damien Bonnard, de Um Plano Perfeito). Ele pergunta para um jovem pelo qual ele passa em uma estrada rural durante Na Vertical.
No filme, Léo (Bonnard) vaga sem rumo pelo interior da França. Um dia, encontra a filha de um pastor de ovelhas, Marie (India Hair), que deseja um dia deixar a fazenda do pai. Não demora muito até eles se interessem sexualmente um pelo outro. Por mais que esteja sempre com ela, de tempos em tempos Léo realiza misteriosas viagens, dedicadas a escrever um roteiro e também a rondar um jovem que mora por perto.

Alain Guiraudie, que dirigiu também Um Estranho no Lago, continua entrelaçando os mistérios do cinema com os mistérios do sexo, fazendo um filme de gênero complexo e com um pouco de exibicionismo gay.
Assim como Léo busca um novo filme e, no processo, descobre novos princípios de vida (como paternidade e altruísmo), o próprio Guiraudie explora e perturba nossos preconceitos pessoais e sociais. Ele é particularmente anárquico quando Na Vertical discute sobre as noções sexuais e morais que recebemos de filmes e da cultura pop em geral.

Guiraudie gosta de problemas e é um construtor cinematográfico. Jean-Luc Godard elogiou Esse Velho Sonho que se Move, provavelmente por seu teor formal e político, mas o cineasta aqui lembra o surrealista Luis Buñuel.
Na medida que Na Vertical perambula pelos novos relacionamentos e ambições de Léo, a realidade aterrorizante mistura-se com o desconcertante irreal. As cenas perturbadoras da sexualidade feminina, da tradição familiar e do transtorno social (através de um close vaginal, um close fálico e ou uma disfunção social do tipo Laranja Mecânica) são, essencialmente, o diretor confrontando as conexões humanas, desejo sexual e suspeita.

Guiraudie parece admitir corajosamente a dificuldade na qual os homens homossexuais equilibram seus desejos. No filme, todos parecem desejar Léo e ele retorna o favor. O título do filme oferece uma metáfora em que Léo enfrenta uma companhia de lobos que representa a ameaça voraz da sociedade, segundo o diretor. Ele retrata como o “espectro da sexualidade humana”, popularmente proclamado, também pode ter riscos reais para os gays.
Guiraudie criou uma extraordinária obra estranha sobre o destino, a morte e o impulso predatório de uma só mente. Na Vertical te fará pensar, muito.
Nota:

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