O Esquadrão Suicida | Quadro por Quadro

O Esquadrão Suicida

Com muita comédia, ação e sangue, a equipe de vilões mergulha nos cânones da DC para uma aventura de guerra que merece a tela do cinema

06.08.2021 │ 19:05

06.08.2021 │ 19:05

Com muita comédia, ação e sangue, a equipe de vilões mergulha nos cânones da DC para uma aventura de guerra que merece a tela do cinema

Tem coisa mais anos 80 que juntar um bando de americanos durões para derrubar regimes autoritários que governam com punho de ferro em países subdesenvolvidos? Qualquer semelhança dessas intervenções políticas com a nossa realidade hoje não é tanta coincidência, mas fica aí no imaginário de cada um. A ilha de Corto Maltese, nação fictícia da DC Comics, viveu uma revolta rebelde contra o governo, que foi apoiada pelos Estados Unidos e devido ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e a União Soviética, que apoiava os rebeldes, o Superman foi enviado pelo presidente dos Estados Unidos para intervir nesse conflito, mas o caos já havia sido instaurado. Essa é a história mais canônica, porém a primeira aparição de fato da ilha foi em 1986 nos quadrinhos do Batman. Inclusive para os mais curiosos, não é a primeira vez que o país aparece nos cinemas, porque lá em 1990, a personagem de Kim Basinger havia acabado de retornar de Corto Maltese com fotos assustadoras dessa zona de guerra.

É nesse ambiente caótico, que acontece o novo Esquadrão Suicida, filme que merecia um recomeço nos cinemas depois do resultado negativo do longa lançado em 2016. Ainda que o filme seja novo em conceito e com um tom mais espalhafatoso, é impossível não lembrar do seu predecessor. Principalmente porque o início da missão é praticamente o mesmo, só que mais direto à ação com Amanda Waller (Viola Davis) recrutando seus detentos para uma missão sanguinária e parte da equipe que já conhecemos está de volta, como Rick Flag (Joel Kinnaman), Capitão Bumerangue (Jai Courtney) e Arlequina (Margot Robbie), mas também porque o roteiro transfere na maior cara de pau o personagem Deadshot, que foi de Will Smith, para Idris Elba, que interpreta o Sanguinário. É até uma piada que entra de forma sutil em uma das cenas, para dizer que todos esses vilões são praticamente iguais e tem a mesma origem.

Ainda sobre os personagens, fica claro o interesse do diretor James Gunn em vasculhar os personagens mais descartáveis da DC, que jamais seriam vistos no cinema, ganhando um espaço de destaque tremendo. Coisa que não é novidade para o diretor, que fez dos Guardiões da Galáxia da Marvel, um fenômeno. Em especial, a Caça-Ratos 2 de Daniela Melchior é quem rouba a cena e fica responsável por unir a equipe de uma maneira nada óbvia, porque a dinâmica entre eles também é muito precisa para que as reviravoltas não sejam em vão ou pareçam forçadas, afinal eles são vilões e não se apegam a ninguém, então esqueça o sentimento de família estilo Velozes e Furiosos, aqui isso não existe.

Com mérito de escolhas muito bizarras, a trama é chocante em diversos momentos e foge a previsibilidade, não medindo a quantidade de sangue, palavrão ou nudez. E como se não bastasse ainda aquece os corações dos fãs que veem na telona o vilão Starro, a primeira ameaça alienígena responsável por unir a Liga da Justiça nos quadrinhos. Mas muito do ritmo, que caminha muito bem no melhor estilo quadrinesco com direito até a cabeçalhos temporais, se perde principalmente na jornada solo da Arlequina e toda sua loucura ingênua de uma assassina carismática, que fica muito desconexa com o resto do filme. Não que seja algo ruim, até porque os quadrinhos funcionam muito dessa forma e além do mais a Margot Robbie arrasa no papel e é uma das maiores estrelas da DC atualmente, então natural que isso aconteça, mas ainda assim faz a gente questionar o por quê daquilo.

Seria muito inocente afirmar que a Warner não deu seu pitaco dessa vez, inclusive parece justamente o contrário, mas com certeza existem boas liberdades criativas para criar uma narrativa do desprendimento. A DC sofreu muito por não conseguir emplacar um universo estendido com seus filmes e agora começa a mostrar que esse movimento de fazer um filme por vez e universos separados dá uma tradução muito mais justa às histórias da editora, fugindo completamente do desgaste que paira sobre as repetições da Marvel.

Com mais acertos do que vacilos, é o tipo de filme que precisa ser visto no cinema e na maior tela possível. Uma experiência que contempla a escória dos vilões da DC, adiciona piadas e soluções visuais extremamente engraçadas e ainda vai ter muita gente chorando no final. Vale muito.

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