Resenha │ Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar

25.05.2017 │ 18:16

Quando a Disney anunciou seus planos de adaptar sua atração Piratas do Caribe para o cinema, havia poucos motivos para esperar algo mais do que um caça-níquéis. Para a surpresa de todos, o filme de 2003 dirigido por Gore Verbinski foi um trabalho inspirado que parecia uma aventura old-school nos moldes de Indiana Jones. A Maldição do Pérola Negra era mais inteligente, mais divertido e mais arriscado do que se esperaria da adaptação.
14 anos depois e quatro filmes mais tarde, a franquia Piratas finalmente entrega o que os cínicos esperavam esse tempo todo. Contendo apenas os vestígios mais fracos da criatividade que transformou a franquia em uma empreitada de quase 4 bilhões de dólares, Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar surge apenas como um exercício para manutenção da marca, aparentemente.

É verdade que Piratas perdeu um pouco do seu brilho com cada capítulo que chegava aos cinemas, mas nunca um filme da franquia foi tão desnecessário e sem sentido.
Depois do sucesso do primeiro filme, as duas sequências dirigidas por Verbinski cresceram cada vez mais inchadas e obcecadas por sua própria mitologia. O quarto filme, lançado em 2011, dirigido por Rob Marshall, controlou algumas tendências mais pesadas de seus predecessores, mas parecia deixar a franquia desnorteada, sem saber pra onde ir. Assim, A Vingança de Salazar promove uma espécie de mini reboot, imitando a estrutura do primeiro filme, mas tendo o breve retorno de personagens que fizeram sucesso anteriormente.

No novo filme, o capitão Salazar (Javier Bardem) é a nova pedra no sapato do capitão Jack Sparrow (Johnny Depp). Ele lidera um exército de piratas fantasmas assassinos e está disposto a matar todos os piratas existentes na face da Terra. Para escapar, Sparrow precisa encontrar o Tridente de Poseidon, que dá ao seu dono o poder de controlar o mar.
Mais uma vez servindo como protagonista e alívio cômico, Johnny Depp repete o seu papel como o bêbado, dissoluto e por vezes decifrável Capitão Jack Sparrow. Seu desempenho aqui não muda nada em relação aos anteriores, mas a abordagem anárquica está começando a parecer um chapéu velho, como se um artista de stand-up reciclasse suas piadas de tempos em tempos.

Tramas sucintas nunca fizeram parte das virtudes da franquia, por isso basta dizer que o MacGuffin central do filme é o Tridente de Poseidon e todos estão atrás dele. No caminho, estão o Capitão Salazar, do título brasileiro, e sua gangue de impressionantes fantasmas mutilados, com os efeitos mais impressionantes do filme.
A Vingança de Salazar vai arrecadar muito, não há dúvidas, mas considerando outras marcas do estúdio, Piratas vai precisar se sair muito bem em sua navegação nos cinemas se ele espera ter novas viagens pelos mares amaldiçoados do cinema fantástico.
Nota:

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Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar

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