Resenha │ Planeta dos Macacos – A Origem

27.08.2011 │ 08:34

Com um roteiro fraco, o grande motivo do sucesso do filme de Rupert é a técnica de captura de movimentos e seu principal representante: Andy Serkis (“O Senhor dos Anéis”, “King Kong”).
O cientista Will Rodman (James Franco) sonha em encontrar a cura do Mal de Alzheimer para seu pai doente, Charles (John Lithgow), desenvolvendo e testando drogas, inicialmente em chimpanzés, na Gen-Sys, uma empresa sem compromissos com ética e direitos animais. Quando uma das cobaias adota um comportamento agressivo numa demonstração dos efeitos da grande aposta do laboratório – o ALZ-112 -, Will se vê levando Ceasar (Andy Serkis), um filhote, para casa, para evitar que ele seja sacrificado. Os anos passam e Caesar desenvolve uma inteligência fora do comum e se torna algo entre um bicho de estimação e um membro da família em prisão domiciliar. Até que um dia Charles se envolve numa briga com o vizinho e Caesar age em sua defesa, acabando recolhido para um “abrigo” de animais silvestres, fornecedor direto de cobaias para a Gen-Sys, onde sofre nas mãos de funcionários inescrupulosos, os Landon (Brian Cox e Tom Felton). Enquanto Will volta ao laboratório para desenvolver uma droga mais agressiva e eficiente, Caesar descobre seu lugar no mundo, liderando seus iguais em busca de vingança e liberdade.
Logo no início, somos mergulhados no clima que nos remete ao sci-fi – típico e, logo, nostálgico – e Wyatt já garante que os fãs do gênero não vão mais desgrudar os olhos da tela. Wyatt dá o seu melhor para compensar as falhas do roteiro no que condiz ao drama e consegue extrair o singelo e verdade nos momentos apropriados, mesmo tendo em mãos personagens – os humanos – rasos e atores que a eles pouco acrescentam (Tom Felton mostra como seria a vida de Malfoy fora de Hogwarts e James Franco, a de Harry Osborn – ainda do bem -, pré-morte), e nos embarca nas cenas de ação, nas quais o filme ganha força. A seu favor, dois elementos: Andy Serkis e os animais. Serkis, especialista no recurso de captura de movimentos, que redimensionou o trabalho do ator de cinema, não é óbvio em sua interpretação e consegue fugir, boa parte do tempo, da humanização de Caesar (já basta a crença de todo o resto de que a evolução leva ao homem), construindo um personagem forte e singular. E os chimpanzés, gorilas e orangotangos são figuras expressivas com que o público se identifica naturalmente e assim não só acompanha como torce, compartilha de sua angústia, seu medo e revolta. Assim, a tensão que se instaura entre Caesar e seu “pai” ou qualquer outro é plenamente sentida e reveste o longa, por vezes de forma sufocante, o que de modo algum é negativo, mas contribui para o realismo, dando-lhe credibilidade.
Visualmente superior aos outros filmes da série (obrigado e adeus às fantasias de primata), “Planeta dos Macacos – A Origem” pode não ter cenas marcantes como a de astronautas sem esperança no espaço, mas, privilegiado pela tecnologia de performance animation, está longe de decepcionar.

Planeta dos Macacos – A Origem

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