Que Mal Eu Fiz a Deus? │ Resenhas: Quadro por Quadro

Que Mal Eu Fiz a Deus?

06.08.2015 │ 14:01

06.08.2015 │ 14:01

Claude (Christian Clavier) e Marie Verneuil (Chantal Lauby) são um casal francês burguês, católico e conservador que mora em uma grande propriedade em Chinon, situada ao centro da França. Pais de quatro filhas, eles veem seus sonhos se desmoronando ao constatar que nenhuma delas escolheu o genro burguês, francês, católico que queriam ter.
Isabelle (Frédérique Bel), a primogênita, advogada, casa-se com Rachid (Medi Sadoun), muçulmano também advogado. Odile (Julia Piaton), dentista, casa-se com David (Ary Abittan), judeu sefardita cheio de ideias que nunca se tornam um negócio lucrativo. Ségolène (Émilie Caen), pintora e sensível, casa-se com Chao (Frédéric Chau), chinês que trabalha como bancário. Laure (Élodie Fontan) torna-se sua última esperança em terem o genro dos sonhos.
Tudo vai às mil maravilhas – ou assim eles tentam demonstrar –, embora a vida em família seja uma série de encontros permeados de piadinhas racistas, até a circuncisão do bebê de Odile e David. Claude e Marie não conseguem esconder o desconforto ao receberem de presente o prepúcio de seu neto e durante um almoço de família acabam perdendo as estribeiras e falando mais do que deviam. Segue então um período onde a família se afasta um pouco.
Depois de um ano e alguns meses, Marie se vê em um consultório psiquiatra com um quadro de depressão, ao qual atribui a falta que faz a convivência com as filhas e netos. Todos decidem engolir alguns sapos e se respeitarem, trazendo à família uma harmonia inédita.
Chega a vez de Laure revelar que tem um noivo. Claude e Marie mal conseguem se conter de felicidade ao ver que escolheu um moço católico chamado Charles (Noom Diawara) – o grande ídolo de Claude é Charles de Gaulle. Logo descobrem, porém, que o rapaz é negro, e entram em crise mais uma vez.
Recheado de cenas hilárias, o filme coloca em xeque a questão da imigração de outras culturas e religiões na França e os preconceitos velados que todos temos, por exemplo quando o pai de Charles e o de Laure conversam e dizem não ser racistas, só gostariam que seu filho/sua filha se casasse com uma boa moça negra/um bom rapaz branco e católico. Ou quando os genros atuais revelam preocupação com o novo estragando a harmonia da família, conquistada a duras penas. Uma comédia imperdível, vale a pena ir ao cinema assistir.

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