Rogue One - Uma História Star Wars │ Resenhas: Quadro por Quadro

Rogue One – Uma História Star Wars

"Rogue One - Uma História Star Wars" é a prequência que "Star Wars" precisava ao invés dos episódios I, II e III

15.12.2016 │ 17:47

15.12.2016 │ 17:47

"Rogue One - Uma História Star Wars" é a prequência que "Star Wars" precisava ao invés dos episódios I, II e III

Não se engane, fã iniciado por Star Wars – O Despertar da Força (2015). Se você viu apenas este filme, Rogue One – Uma História Star Wars não foi feito para você, afinal você precisa ao menos ter visto Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977) para aproveitar ao máximo a experiência com este novo filme.

O diretor Gareth Edwards, de Godzilla, faz o primeiro derivado da franquia direcionado diretamente para os fãs adultos do original, transformando-o em um filme de guerra sujo que não tem nenhum elemento infantil na sua concepção nascida dos dois primeiros parágrafos dos créditos de abertura do filme de 1977.

O spin-off (livre de Jedis e das lutas com as armas mais elegantes da galáxia, os sabres de luz) é o melhor pontapé que o Episódio IV poderia ganhar, mais até do que os famigerados episódios I, II e III que tiveram direção do próprio George Lucas, criador da saga. Rogue One vai sutilmente se aproximando do tom de Uma Nova Esperança e ainda corrige o maior furo do antigo blockbuster – quase 40 anos depois, sabemos o porquê da Estrela da Morte ter um calcanhar de Aquiles e como essa informação caiu nas mãos da Princesa Leia.

No filme, Jyn Erso (Felicity Jones, de Inferno) é afastada de seu pai, Galen (Mads Mikkelsen, de Doutor Estranho), ainda criança, devido à exigência do diretor Krennic (Ben Mendelsohn, de Êxodo: Deuses e Reis) que ele trabalhasse na construção da arma mais poderosa do Império, a Estrela da Morte. Criada por Saw Gerrera (Forest Whitaker, de A Chegada), ela teve que aprender a sobreviver por conta própria ao completar 16 anos. Já adulta, Jyn é resgatada da prisão pela Aliança Rebelde, que deseja ter acesso a uma mensagem enviada por seu pai a Gerrera. Com a promessa de liberdade ao término da missão, ela aceita trabalhar ao lado do capitão Cassian Andor (Diego Luna, de Herança de Sangue) e do robô K-2SO.

Para a nossa alegria, não há Ewoks ou Jar Jar Binks aqui para infantilizar a trama, mas sim um robô sarcástico e cheio de piadinhas com humor negro. O enredo é pensado como um filme de guerra sujo e com temáticas adultas que podem afastar os pequenos dos cinemas (o que também não é um problema!).

Rogue One é carregado de alusões a outros filmes da franquia, e embora isso seja divertido para os fãs fiéis, também torna a experiência um pouco mais desafiadora para os não-iniciados. Ele tem um elaborado e complexo roteiro que irá converter poucos ao universo desta galáxia muito, muito distante. Seu apelo está com os fãs religiosos. Por sorte, há muito mais seguidores da religião Star Wars do que cientologistas pelo mundo.

Então os fiéis aprovam Rogue One? Ou o filme é apenas um bom exemplo da indústria maniqueísta de Hollywood se aproveitando da sua conexão com um fenômeno de quatro décadas? A resposta é um pouco de ambos. Pelo menos quem for iniciar com esta “prequência” não terá que lidar com a temática infantil de A Ameaça Fantasma e poderá seguir imediatamente para Uma Nova Esperança.

A abordagem tangencial do filme é o motivo pelo qual Edwards foi uma escolha perfeita para dirigi-lo. Enquanto Godzilla provou que ele poderia lidar com um filme desta escala (Rogue One parece tão grande quanto O Despertar da Força!), foi com seu primeiro filme, Monstros, no qual uma invasão alienígena é mostrada através da perspectiva de um casal que tem outros problemas, que ele pode ter convencido o estúdio de que era o homem indicado para a tarefa. Afinal esse derivado concentra-se em personagens menores, que nos outros 7 filmes acabam tendo bem menos importância ou até mesmo não aparecem.

Dito isto, o filme poderia ser acusado de deixar de lado a fórmula de sucesso de Star Wars: sem Jedis, sem sabres de luz (até que Darth Vader finalmente aparece) e sem um vilão tão icônico quanto os anteriores. Mas isso também não é um grande problema.

Ainda assim, entre batalhas épicas com dezenas de naves espaciais conhecidas e a emoção de ouvir o tema clássico de John Williams reinterpretado pelo ótimo Michael Giacchino, não há como negar que o filme pertença ao mesmo universo criativo estabelecido por Lucas. Esta é a rebelião experimentada a partir das trincheiras da guerra. O público mais jovem ficará confuso, mas a geração original de fãs da franquia, que acreditavam que este seria mais como os episódios I, II e III, podem respirar aliviados. Esta é a “prequência” que todos sempre quiseram, feita de fã para fã.

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