Steve Jobs │ Resenhas: Quadro por Quadro

Steve Jobs

14.01.2016 │ 14:45

14.01.2016 │ 14:45

Imagine a cena: teatro cheio, plateia em polvorosa aguardando a entrada do palestrante. No auge da expectativa, as pessoas batem os pés no chão, e são tantos pés se chocando contra o piso que o teatro chega a sacudir nas bases. A tensão aumenta. E, pontualmente, entra no palco nada menos que Steve Jobs, o cara que conhecemos como o gênio da Apple. O deus da computação moderna. O cara, basicamente. E essa cena de eletrizante comoção se repete três vezes, em momentos diferentes, no filme Steve Jobs, que chega hoje às telonas.
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O filme, que tem roteiro de Aaron Sorkin, que acabou de ganhar um Globo de Ouro por isso (e que em 2011 ganhou Globo de Ouro e Oscar pelo roteiro de A Rede Social), e direção de Danny Boyle, que ganhou um Oscar por Quem quer ser um Milionário, lá em 2009, acompanha Jobs (Michael Fassbender, que só não ganhou o Globo de Ouro e não vai ganhar o Oscar porque existe Leo DiCaprio, mas esta é outra conversa…) no lançamento de três produtos: o Macintosh em 1984, o Black Cube em 1988 e o iMac em 1998. E é por isso que esse roteiro é genial: é isso! Ou basicamente isso… Acompanhamos Jobs nos bastidores desses grandes eventos, sentindo (quase) na pele a expectativa da plateia, a tensão dos envolvidos (incluindo Jobs e a executiva de marketing Joanna Hoffman, interpretada por Kate Winslet, que acabou de ganhar o Globo de Ouro pela interpretação), e as discussões de Jobs com diversos personagens, como Steve Wozniak (Seth Rogen) e Chrisann Brennan (Katherine Waterston), ex-namorada e mãe de sua filha, Lisa. O filme mostra três épocas diferentes (1984, 1988 e 1998), mas sempre os mesmos personagens envolvidos, basicamente as mesmas discussões, e um Jobs que vai aprendendo com os anos a ser mais compreensível e menos cabeça-dura.
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A ideia de trabalhar três momentos na vida de Jobs foi genial porque deixa espaço para desmistificarmos a figura mitológica de Jobs. Apesar de ser um visionário, um excelente maestro, que rege a orquestra de envolvidos em seus projetos com precisão (analogia genial usada no filme!), em Steve Jobs ele se mostra um deus repleto de defeitos. Além de ser intransigente com seus colaboradores (evidenciado em diversas cenas do filme, mas pra mim bem pontuado quando ele exige que o programador Andy Hertzfeld corrija o problema com o comando de voz faltando minutos para a apresentação começar, ao que, ao final do diálogo, Hertzfeld compara Jobs a Deus) e se mostrar impassível, ele era bem difícil de se deixar convencer com ideias contrárias às suas. Mas além dessas características todas, aliadas às que já conhecíamos, o filme também dá um tempo para saborearmos um outro lado do Steve Jobs que conhecemos: o de pai. E as duas histórias correm em paralelo: a do Jobs mago da computação e excelente profissional de marketing apresentando seus produtos (que eventualmente se provaram fracassos, até ele começar a acertar definitivamente) e a de pai, incapaz de demonstrar seu afeto, talvez devido a traumas de infância (o filme tenta explicar com o fato de Jobs ter sido adotado), talvez por estar focado demais em sua carreira. O importante é que o filme vai desenvolvendo os personagens, e vamos conhecendo pedacinhos das personalidades destes personagens, e a história vai ficando melhor, e o filme é engajador e apaixonante.
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Então fica a dica pra este fim de semana: vá assistir ao filme! Vale ver na telona, pois, apesar de não ter cena alguma de perseguição ou explosão, o filme é grande, é amplo, como o próprio Jobs foi. E a atuação de Winslet e Fassbender está de tirar o fôlego. E o filme está concorrendo a diversos Oscar. Cara, não tem desculpa, vai ver!
Nota:

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