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Um Cadáver Para Sobreviver

Paul Dano descobre as ferramentas que precisa para sobreviver no cadáver de Daniel Radcliffe

29.12.2016 │ 15:02

29.12.2016 │ 15:02

Paul Dano descobre as ferramentas que precisa para sobreviver no cadáver de Daniel Radcliffe

Hank (Paul Dano, de Juventude), um homem perdido numa ilha/floresta, e sem esperanças, encontra um cadáver (Daniel Radcliffe, o eterno Harry Potter) no meio do caminho. Decidido a ficar amigo do morto, eles vão partir, juntos, em uma jornada surrealista para voltar para casa. Ao mesmo tempo em que Hank descobre que o corpo é a chave para sua sobrevivência, ele é forçado a convencer o morto o quanto vale a pena viver.

Daniel Radcliffe interpreta o cadáver flatulento ao qual Paul Dano se afeiçoa nesta comédia existencial estranha dirigida pelos “Daniels” (Daniel Scheinert e Daniel Kwan), estreantes em longas. Exibido pela primeira vez no último Festival de Sundance, o filme usa da sua estranheza como um distintivo de honra, como deveria ser.

Junte Naufrago com Um Morto Muito Louco e voilà, temos a premissa de Um Cadáver Para Sobreviver. Seus diretores trazem toda a sua visão pessoal ao longa, sem parecer se preocupar com o destino comercial de seu filme, tanto que ele acabou sendo lançado diretamente na Netflix no Brasil.

Mas a verdade é que Um Cadáver Para Sobreviver funciona muito bem, mesmo com tantas piadas sobre flatulência, alguns momentos nojentos e muita conversa sobre masturbação. Os tópicos não são apenas engraçados, servem para nos fazer pensar, aproveitando-se de funções corporais dignas de riso para nos dar uma lição maior – ou seja, que Dano está cheio de razões para viver.

Mesmo que o filme vá do dinamismo às cenas arrastadas em um piscar de olhos, ainda assim a trilha sonora consegue segurar a atenção e nos manter colados nos próximos passos dessa dupla improvável.

Pouco antes de tentar tirar sua própria vida, no início do filme, o personagem de Dano confessa que esperava ver sua vida passando diante de seus olhos. E o filme funciona desta maneira, forçando-o a reavaliar suas escolhas além de defender a vida de seu companheiro morto (oi?).

Para quem está disposto a deixar de lado a superfície escatológica da coisa, os “Daniels” têm algo a mais para transmitir. Um sentido para a vida ensinado por um morto parece uma boa pedida.

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