Resenha │ Um Time Show de Bola

28.11.2013 │ 20:44

Assim como no Brasil, o futebol é o esporte mais popular da Argentina, embalando muitas crianças no sonho de ser um atleta fora ou dentro dos estádios e também como torcedores apaixonados, que sabem e opinam sobre todos os esquemas táticos que devem ser levados em conta quando os jogadores estão em campo. O protagonista Amadeo de Um Time Show de Bola (Metegol, Argentina e Espanha, 2013), novo longa animado hispano-argentino do diretor Juan Jose Campanella, é uma dessas crianças que cresce carregando o sonho do futebol dentro de si. No caso do tímido garoto de cidade pequena, é o seu time de pebolim que mantém sua paixão firme pelo esporte.
Como nunca se sentiu muito atraído pela vida de atleta em campo, Amadeo gasta todas as suas forças e técnicas em um pebolim idealizado num antigo bar da cidade em que cresceu. Sempre com sede de partida, ele acaba aceitando a intimação para uma partida pelo garoto mais competitivo da cidade, que desacostumado a derrotas, simplesmente não aceita perder para um menino tímido e desajeitado.
Com seu amor e conhecimento pelos jogadores da mesa, Amadeo consegue ganhar, dando ao oponente um jogo cheio de emoção. Não ficando por isso mesmo, algumas décadas depois, com um pseudônimo de “O Craque”, o então adulto e jogador de futebol reconhecido, volta para dominar a pequena cidade e ter a sua revanche sobre Amadeo, que continua sendo um simples garçom de bar com um grande coração e o melhor time de pebolim de que já se ouviu falar.
Baseado em um conto do escritor e cartunista argentino Roberto Fontanarrosa, um dos ícones gráficos do esporte no país, intitulado de Memorias de un wing derecho (algo como ‘Memórias de um Direita’) Um Time Show de Bola não é apenas um longa animado para tratar esse esporte que leva multidões às arenas/estádios. A animação também traz críticas sobre a forma como os jogadores são enaltecidos conforme seus enormes salários, como a competitividade entre times e torcidas pode ultrapassar os limites do saudável e principalmente, que a amizade e a união pelo amor a uma mesma causa pode dar resultados muito mais grandiosos que apenas um placar.
Campanella, diretor portenho conhecido por filmes premiados como “O Segredo dos Seus Olhos” e “O Filho da Noiva”, estreia no gênero de animação não perdendo uma das suas características mais marcantes da sua filmografia, o trabalho delicado de lidar com as lembranças de personagens, tão importantes para se juntar um quebra-cabeças a fim de montar estratégias em momentos delicados como que Amadeo passa tendo em suas mãos a chance de salvar a cidade em que cresceu.
O longa – já de olho numa estatueta de animação – também faz história na latinoamerica sendo rodado em 3D com algumas cenas justificáveis para a técnica. Mas muitos créditos devem ser dados ao diretor de arte Mariano Epilbaum que concebeu muito bem os personagens, principalmente aos detalhes dos pequenos atletas de pebolim. Juntando o conceito de arte e a construção dos personagens, crédito também á boa adaptação do conto de Fontanarrosa que apenas nos dá um vislumbre ao enredo construído no longa.
Os personagens de Um Time Show de Bola são as peças que engrenam e fazem o longa funcionar libertando a criança de cada espectador. A animação, feita totalmente longe dos grandes estúdios americanos, não deixa nada a dever às criações da Pixar ou Dreamworks, por exemplo. Com personagens carismáticos, é impossível não reconhecer em cada pequeno jogador dos times do pebolim de Amadeo, algum dos nossos conhecidos atletas, com seus próprios trejeitos e características. Para quem acompanha o esporte pode até parecer senso comum cada jogador ter apelidos do tipo “Coreano”, “Beto” ou “Loco”, mas é justamente essa rápida identificação que vai ganhar sorrisos dos espectadores de qualquer idade no cinema. Independente do time que você torça, ou seja, simpatizante, nada mais emocionante do que assistir pessoas – e pequenos atletas de metal – jogando e vivendo emoções juntas, em busca de um bem comum.

Um Time Show de Bola

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