Resenha │ Vampiro 40°

02.06.2016 │ 13:28

Filmes de terror sempre foram tidos como menos importantes no universo fílmico. Triste sina da genialidade obscura do ser humano. Mas nos últimos anos, o gênero tem ganhado mais e mais reconhecimento, ainda mais quando observamos os números de bilheterias ao redor do mundo, e conferimos que filmes de terror arrastam multidões para os cinemas. E aproveitando a boa maré, cineastas e produtores brasileiros também têm investido na ovelha negra do cinema. E o resultado está bem bacana, como pudemos conferir em filmes como Mangue Negro (2008), A Noite dos Chupacabras (2011), Mar Negro (2013) – o Aragão é um gênio! –, Desaparecidos (2011) e o ótimo Isolados (2014). E hoje tem uma estreia que vale a pena ser conferida: Vampiro 40°, com direção de Marcelo Santiago e produção de Luiz Carlos Barreto.
01
Baseado na série de três temporadas Vampiro Carioca, do Canal Brasil, que por sua vez foi inspirada no livro As Aventuras do Vampiro Carioca, de Lucia Chataignier, a história é um pouco confusa, pois o filme começa apresentando muitos personagens. Mas os mais importantes são basicamente cinco: Vlak (Fausto Fawcett), vampiro que quer se tornar o rei do submundo carioca; Michelle (Renata Davies), a sexy vampira parceira de Vlak; Draco (Otto Jr.), vampiro inimigo de Vlak; Dafne (Linn Jardim), a psicopata da serra elétrica que se alia a Draco; e a mafiosa chinesa Wang Su (Michelle Hayashi). O filme começa com Vlak arrancando um dispositivo canino-chip de controle pela Limbo Corporation, perdendo a memória e caindo no submundo carioca. Ele então encontra Wang Su, mas somente recupera sua memória quando revê Michelle. Os personagens se cruzam pela trama, lutam, transam e se unem para derrubar o impiedoso Limboman.
02
Não é impressão sua, a história é total cartunesca, desde a história até sua aparência. As transições entre cenas até usam páginas de HQs para situar o espectador/leitor. A estética do filme é seu ponto alto, lembrando muito algo como um cruzamento entre Sin City e videoclipes dos anos 1980/1990 que passavam na MTV. Tudo é muito teatral, com uso excessivo (no bom sentido) de cenários, máscaras e outros acessórios a diálogos, que são surreais, uma mistura de poesia, filosofia e programas sensacionalistas de TV. Além disso, o filme usa e abusa de cenas de sexo, algumas até que tem uma boa explicação para existir (por exemplo, o prédio da Limbo Corporation é totalmente sustentável, sendo energizado por operários sexuais, que ficam no porão fazendo sexo e criando energia limpa, olha que genial essa solução para a crise energética brasileira!), mas a maioria é só pra reforçar que vampiro tem, além dos caninos avantajados, tesão em excesso.
03
Acho que acima de tudo, eu adoro ver o cinema brasileiro experimentando e saindo do lugar comum. Chocando, sim, porque vai ter muita gente torcendo o nariz pro filme (conheço muita gente que vai reclamar das cenas de sexo, porque sexo no cinema no Brasil virou tabu depois dos anos 1980/1990), mas ah, não dá pra agradar todo mundo, né, não? Mas eu quero mais é que venham muitos outros filmes como este por aí, porque precisamos crescer muito ainda, mas já dá pra ver que estamos trilhando o caminho certo.
Nota:

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Vampiro 40°

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