Virginia │ Resenhas: Quadro por Quadro

Virginia

26.12.2013 │ 08:31

26.12.2013 │ 08:31

Imagine a cena comigo: a câmera passeia por uma cidade pequena dos Estados Unidos, mostrando cenas comuns do dia a dia das pessoas que moram lá. Somos guiados por um narrador, que fala de crimes horrendos ocorridos ali. Enquanto tudo isso acontece, uma trilha sonora de filme de terror nos acompanha. Hum… sensacional! Ótimo começo, no mesmo estilo “mal-estar” de abertura do filme “Veludo Azul”, de David Lynch, com a diferença de que o autor já conta de cara que aquela cidade não é o que parece. Mas o que começa muito bem, não entrega à altura. E “Virgínia” (“Twixt”) acaba sendo mais um daqueles filmes de terror estilo “decepção”.
Decepção parece uma palavra um pouco forte demais, pois o risco de um filme de terror cair em alguma das tradicionais armadilhas é muito grande. Assim, já assistimos a um filme de terror pensando que ele vai ser uma bomba, a não ser que alguém te diga que ele foi escrito, produzido e dirigido por ninguém menos que Francis Ford Coppola, e conta com Val Kilmer, Bruce Dern e Elle Fanning, né? Você espera um filme bacaninha, né?
Só que não. “Virginia” ficou devendo em vários aspectos, começando pela história. A premissa básica do filme já é velha conhecida nossa: Hall Baltimore (Kilmer), escritor vivendo uma crise, vai até uma cidade pequena e acaba ficando para escrever sobre os assassinatos que estão ocorrendo lá. A diferença é que ele recebe inspiração em seus sonhos, sendo guiado por ninguém menos que Edgar Allan Poe. Além disso, o roteiro não está bem amarradinho, deixando muitas partes soltas e sem explicação. Tudo bem que nem tudo precisa de explicação, mas o filme tem muitos personagens, metade deles não serve pra nada, e a outra metade não é bem trabalhada. Assim, você tem que acreditar no que vê, e engolir a história, ou melhor, as histórias. Isso se alguma delas fizer sentido pra você, ao final do filme.
Um dos pontos forte do filme é o clima gótico dos sonhos de Baltimore. Algumas vezes macabros e meio surreais – como sonhos devem ser, na verdade. Mas o exagero em algumas cenas acaba levando o filme para além da linha do ridículo, e você acaba achando algumas coisas engraçadas. E não era assim que tinha que ser, né?
No final, acho que valeu a pena assistir pra ver como andava a mão do Coppola pra terror, mas não gostei muito do filme e não recomendo pros amantes do terror. Como eu sempre digo, vale a pena ver por você mesmo pelo menos pra poder falar mal do filme, porque opinião é aquela coisa.

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