Scream – 2ª Temporada

Terror amplia sua mitologia sádica em nova temporada

17.08.2016 │ 15:56

17.08.2016 │ 15:56

Terror amplia sua mitologia sádica em nova temporada

Sem precisar se esforçar para estabelecer uma origem, agora a segunda temporada de Scream consegue avançar uma casa no tabuleiro da morte e se desvincula de um passado que foi duro de engolir na primeira temporada. Agora os sobreviventes do massacre de Lakewood tentam recuperar o tempo perdido e se unir para tentar seguir em frente, mas claro que essa calma logo é interrompida por alguém que continua a matança iniciada por Piper (Amelia Rose Blaire), a meia-irmão de Emma (Willa Fitzgerald). A maneira como os novos assassinatos acontecem é muito mais interessante e a gente só dá conta do plano do vilão no penúltimo episódio numa bela reviravolta. Para não matar todo o elenco, agora a abordagem é mais de tortura psicológica e o elenco fixo acaba levando uma esfaqueada ou outra para o público ficar alerta de que tudo é possível. A temporada já começa homenageando Pânico 2 e a famosa cena de abertura em que a personagem de Jada Pinkett Smith morre no cinema. Claro, a escala é menor, mas o suspense no ambiente entre a sala e a bomboniere foi muito bem desenvolvido, além de deixar uma pulga atrás da orelha em relação a Hayley (Mary Katherine Duhon), uma garota que aparece representando os fissurados pelo massacre e a celebração dos sobreviventes. Tudo isso desvia a nossa atenção para achar que ela está envolvida de alguma maneira com o terror que se repete, recurso muito comum e familiar da trilogia dos filmes originais.


Os únicos problemas reais da série são criação do medo e sua protagonista, que mesmo perdendo um pouco de espaço no ano dois para a útima Audrey (Bex Taylor-Klaus) que só vem crescendo, ainda insistem em colocá-la no centro das atenções. Numa situação dessas, o casting pode ser crucial, assim como foi o caso de Jamie Lee Curtis em Halloween e também o da própria Neve Campbell em Pânico. A Sydney Prescott de Neve, tinha uma força no olhar e expressão que casava perfeitamente com o horror e com a tragédia de uma ví­tima, além de sua trajetória ser um pouco mais heróica e adulta, mas isso não acontece nessa adaptação que se sustenta com o mistério de seus outros personagens que também não chegam perto de construir o que Courtney Cox e David Arquette conseguiram. Como a série é feita para um público adolescente que ainda está descobrindo o terror e o suspense e se desafia em assistir coisas do gênero mesmo passando medo, o roteiro não busca ser muito elaborado em resolver problemas. Muitas coisas ficam tão automáticas que você até deixa passar, como todo mundo entrando no quarto de todo mundo o tempo todo sem nenhum pai ou mão estar presente.


A intertextualidade que moldou os filmes do saudoso Wes Craven no final dos anos 90 ainda fica a cargo de Noah (John Karna) que dessa vez tenta perder a virgindade e deixar de ser uma ví­tima em potencial. Uma das regras estabelecida por Randy (Jamie Kennedy) em Pânico 3. O nerd da série, torna cada passo do assassino um case de estudo e citação sobre alguma obra do horror, mas quem ganha mesmo espaço na temporada são as adições no elenco como Stavo (Santiago Segura) e Eli (Sean Grandillo), ambos colocados para confundir nossa cabeça e passarem por suspeitos, mas ambos conseguem imprimir uma bela ambiguidade e são os que ganham as melhores cenas assim como Audrey.


As ligações do assassino pelo telefone já não tem mais a força que tinham na época que o celular não existia e a direção não se esforça para tornar o Hello Emma aterrorizante, então as outras opções de comunicação pelo celular viram um prato cheio para os roteiristas explorarem e o resultado é ótimo, sem contar na lanterna do aparelho que também é uma ajuda e tanto para as ví­timas. As ferramentas de mensagem instantânea, ví­deos e áudios, são colocados em cena para realçar o suspense. Cada vibrada do celular já dá um arrepio. Nessa nova empreitada da MTV em parceria com a Netflix, a direção de atores e também o olhar para criar momentos precisa se inspirar mais na técnica dos filmes que tanto cita e não nomear os episódios em referências aos mesmos. Até sua metade, em experiência de maratona, a série se sustenta muito bem em volta de Audrey e sobre algumas histórias não contadas pela sem graça mãe de Emma, mas ainda assim, faz a gente manter o interesse. Agora parece que Scream está perto de um final definitivo, pelo menos desse arco, formando uma trilogia, só vamos esperar para que a série seja mais Netflix e menos teen MTV daqui pra frente.

Você também pode gostar…

Quadro por Quadro