Smurfs

(2025) ‧ 1h32

10.07.2025

"Smurfs": Quando a pressa apaga a magia do clássico

Smurfs é um filme difícil de engolir — e não dá para enrolar muito para dizer isso. Extremamente acelerado, chega a um ponto em que não é agradável nem para a geração mais nova, que já está acostumada a processar informações em alta velocidade. A narrativa parece ter pressa demais, sacrificando aquilo que poderia ser a sua maior força: o carisma e o desenvolvimento dos personagens.

Logo no início, há um excesso de Smurfs apresentados de forma superficial. São passados como uma lista, sem nenhum aprofundamento. A meia-dúzia que permanece em destaque ao longo da história também não foge desse problema: figuras decorativas, com características esquecidas e que não remetem à essência do desenho animado original — um clássico que marcou gerações e poderia ter servido como base para algo muito mais criativo.

Normalmente, animações são dinâmicas e têm um ritmo mais acelerado, mas aqui isso se transforma em um problema. Apesar de ter uma duração semelhante a outras produções do gênero, Smurfs passa a sensação de estar sempre correndo para encaixar novas informações. O final, por exemplo, poderia facilmente ser encurtado em uns 30 minutos, evitando a inclusão repentina de novos personagens que, assim como os anteriores, não têm desenvolvimento algum.

Outro ponto questionável é o uso de piadas com duplo sentido, totalmente desnecessárias para um filme voltado ao público infantil. Parece uma tentativa forçada de agradar adultos, mas que acaba destoando da proposta da história e do tom que deveria ser mantido.

Algo, no entanto, merece elogios: a dublagem. É ela que dá um respiro à produção, trazendo vida a personagens que, no roteiro, ficaram completamente apagados. Sem esse trabalho, Smurfs seria ainda mais descartável. Fica a dúvida se, no áudio original, o mesmo cuidado foi tomado — mas, pelo menos para o público brasileiro, esse é um ponto positivo.

No fim das contas, Smurfs tinha tudo para ser uma homenagem divertida a um universo querido, mas se perde em excesso de pressa e falta de personalidade. Uma pena, porque o material original merecia bem mais do que isso.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Eliane Felisbino

OUTRAS CRÍTICAS

007 – Os Diamantes São Eternos

007 – Os Diamantes São Eternos

007 - Os Diamantes São Eternos, lançado em 1971, marcou a despedida "oficial" de Sean Connery no papel de James Bond (embora ele tenha retornado em 007 Nunca Mais Outra Vez, um remake de 007 Contra a Chantagem Atômica, em 1983). Após pular 007 A Serviço Secreto de Sua...

Annie

Uma das estreias da semana é Annie, com Jamie Foxx e Quvenzhané Wallis (a guria que concorreu ao Oscar de melhor atriz por Indomável Sonhadora em 2013), filme baseado em um musical de muito sucesso da Broadway dos anos 1970, que virou filme nos anos 1980. No musical e...

Boneco do Mal

Imagina assim: você entra na casa de um casal que investiga casos paranormais e se depara com um aviso em uma porta que diz pra você não entrar ali. Mas você, ah, diferentão, fã de terror de carteirinha, entra, lógico. Lá dentro tá escuro (esqueci de dizer...