The OA – 1ª Temporada

17.12.2016 │ 10:54

17.12.2016 │ 10:54

Pelas prévias da nova série original Netflix, The OA, era de se imaginar algo bem próximo de Stranger Things, um dos maiores hits do serviço de streaming, e em algumas horas o clima construído pela série lembra realmente o conjunto de referências e o conceito novo criado a partir de uma direção original em termos de história. A reviravolta está justamente no drama que toma lugar da urgência criada pelas crianças que querem desvendar os mistérios da ciência para salvar seu amigo. Em The OA, as teorias também são muitas e a ciência está muito presente, mas de uma maneira mais mística e pesada.

Brit Marling, que tem papel ativo na produção também por trás das câmeras, interpreta Prairie, uma garota russa e cega que foi adotada por um casal americano e que sofre com pesadelos premonitórios. Ela ainda sobreviveu a uma experiência de quase morte e foi dada como desaparecida por 7 anos. Após tantos eventos traumáticos, ela não só retorna com muitos mistérios sobre seu paradeiro mas também consegue enxergar novamente. Seu sumiço ganhou grande repercussão e a cidade sofreu com isso. Ao voltar ela procura conforto ao reunir um grupo de 5 pessoas para contar sua história e disseminar um poder transcendental. Entre eles estão seus vizinhos Steve (Patrick Gibson), o típico valentão da escola, inconsequente e de temperamento difícil, Buck (Ian Alexander) uma menina transsexual, Alfonso (Brandon Perea) o garoto batalhador que toma conta de toda família, Jesse (Brendan Meyer) um garoto que perdeu sua família e Betty (Phyllis Smith), a diretora da escola.

Um ponto que não beneficia a protagonista, nada carismática ao longo dos episódios, é seu desdém para com seus pais adotivos Abel e Nancy, belamente interpretados por Scott Wilson e Alice Krige, inclusive outro ponto negativo da série é a relação amorosa de Prairie e Homer (Emory Cohen) que fica muito mal construída. Com a premissa de aprofundar experiências de quase morte e levantar um discurso clínico e científico sobre esse tema, a série alcança um bom nível intelectual de dramaturgia que ao se aproximar da cafonice, ela retorna e mantém seu tom quase que dizendo ao espectador “calma, ainda tem mais isso aqui”. Isso instiga a ver o episódio seguinte, que sempre surpreende.

Impossível dizer qualquer coisa sobre Hap, o personagem de Jason Isaacs (Lucius Malfoy na franquia Harry Potter) sem entrar em spoiler, mas sua participação pode significar um futuro interessante para uma possível segunda temporada, e seu lado vilão pode ser melhor explorado num estilo Os Homens Que Não Amavam As Mulheres. The OA é uma pura conspiração imaginativa e sobrenatural que mexe com os sentidos e gera perguntas que foge do convencional. Uma tentativa ousada e que pode sim ser muito bem apreciada se houver paciência e entrega a este mundo místico criado pela dupla Marling e Zal Batmanglij.
Nota:

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