Tudo Vai Ficar Bem

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10.03.2016

Nem sempre bons atores podem salvar um projeto com roteiro e montagem ruins. Em Tudo vai ficar bem, longa mais recente do veterano Wim Wenders, os erros não passam despercebidos. Infelizmente o espectador recebe um filme com uma premissa interessante, mas executado de forma mediana, caindo facilmente no melodramático com uma espiral de técnicas ruins.
Tomas (James Franco) é um escritor que vive no Canadá. Em busca de inspiração – e em uma situação delicada no seu casamento com Sara (Rachel McAdams) – ele passa o dia em uma pequena cabana num lugar isolado com pescadores. Durante uma nevasca, retornando ao lugar, Tomas atropela dois irmãos, matando o mais jovem. Esse acontecimento afeta profundamente a vida dos envolvidos: tanto Tomas. que durante algum tempo não consegue mais escrever, quanto Kate (Charlotte Gainsbourg), a mãe dos garotos, que precisa lidar com a perda e continuar firme para Christopher, o filho que sobreviveu e que também está em processo de adaptação.
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Em Tudo Vai Ficar Bem tanto o trabalho de roteiro de Bjørn Olaf Johannessen, quanto a técnica de Wim Wenders tentam encaminhar o espectador para uma trama de superação e aprendizado. O clima gélido colabora para a falta de empatia do escritor Tomas, que vai ganhando contornos mais rígidos com o passar dos anos. O mesmo acontece com Kate, a mãe artista que torna sua produção uma obrigação para superar a perda do filho. Mas em nenhum momento a tensão se resolve entre os personagens principais, parecendo que apenas Tomas desenvolve a superação, sozinho e produzindo como nunca.
O tempo em Tudo Vai Ficar Bem transcorre de forma confusa e sem um padrão aparente. Há uma tentativa de acompanhar o desenvolvimento dos personagens envolvidos nesse acidente, mostrando como suas vidas se relacionam mesmo distantes. Tanto James Franco como Charlotte Gainsbourg não demonstram força em nenhum momento de suas performances. Salvo em alguns momentos de cumplicidade entre os protagonistas, o filme se desenvolve sem força no arco dramático e empurra o enredo em tom melodramático, com uma montagem estranha e muitas vezes amadora.
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Em vários momentos o estilo de Wim Wenders de filmar é perceptível: planos panorâmicos, com fotografia que realça a beleza dos cenários assim como os planos dramáticos que tentam trabalhar com os sentimentos dos personagens. Mas fatores como as transições de cenas amadoras – usando fade to black como recurso, por exemplo – e a péssima condução do drama sobre um tema tão intrincado tornam o filme cansativo e com poucos atrativos.
Wim Wenders é um dos cineastas mais importantes da história recente do cinema. Dirigiu clássicos sensíveis como Paris, Texas e Asas do Desejo (1987) sem contar que vem produzindo documentários de forma inovadora, usando tecnologias recentes como o 3D impecável de Pina. O melhor é desconsiderar que Tudo vai ficar bem faz parte do currículo do diretor e dar vez por exemplo para O Sal da Terra, sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, imaginando que hoje o diretor lida melhor com as realidades fantásticas do que com as ficções insossas.
Nota:

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AUTOR

Emanuela Siqueira

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