Um Tira da Pesada 2

(1987) ‧ 1h43

02.09.1987

"Um Tira da Pesada 2": Um retorno inconsistente

Um Tira da Pesada 2, dirigido por Tony Scott, traz Eddie Murphy de volta como o detetive Axel Foley. Desta vez, Axel retorna a Beverly Hills para investigar uma série de crimes conhecidos como “crimes do alfabeto” após seu amigo e colega, Andrew Bogomil (Ronny Cox), ser baleado. Apesar de manter o humor e a ação que fizeram do original um sucesso, a sequência falha em vários aspectos.

Desde a primeira cena, o filme estabelece um tom frenético. A sequência de abertura, envolvendo um assalto a uma joalheria, é uma amostra da abordagem de Scott: ação intensa, cortes rápidos e um estilo visual quase hipnótico. Essa escolha estética mantém o espectador envolvido, mas também pode ser exaustiva. A ação nunca para, com cada cena desenrolando-se em um ritmo vertiginoso, o que é tanto um ponto forte quanto uma fraqueza do filme.

Eddie Murphy, mais uma vez, brilha como Axel Foley. Seu talento para a comédia é o que realmente carrega o filme. Murphy domina as cenas com sua energia e carisma, especialmente quando assume diferentes disfarces para enganar os vilões e os policiais locais. Sua habilidade em improvisar e suas tiradas rápidas mantêm o filme leve, mesmo nas cenas de maior tensão.

A dinâmica entre Axel e os detetives Billy Rosewood (Judge Reinhold) e John Taggart (John Ashton) continua a ser um dos pontos altos. A química entre os três é palpável e rende muitos momentos divertidos. Agora aliados de Axel, Billy e Taggart oferecem um suporte cômico e ajudam a equilibrar o frenesi de Foley com suas personalidades mais conservadoras.

No entanto, a direção de Tony Scott, com seu estilo altamente estilizado, às vezes ofusca o desenvolvimento dos personagens secundários. Enquanto no primeiro filme havia espaço para a interação e construção de tensão cômica, aqui as cenas são frequentemente cortadas e aceleradas, perdendo-se alguns momentos de ouro que poderiam ter sido explorados. Isso é particularmente visível nos personagens coadjuvantes como o novo chefe de polícia, interpretado por Allen Garfield, que não consegue brilhar tanto quanto poderia devido ao ritmo frenético do filme.

Os vilões, interpretados por Brigitte Nielsen, Dean Stockwell e Jürgen Prochnow, embora adequadamente ameaçadores, não são tão memoráveis. A falta de profundidade nos antagonistas é uma área onde o filme poderia ter se beneficiado de um desenvolvimento maior, mas a ênfase está claramente na ação e no espetáculo visual.

Um aspecto notável de Um Tira da Pesada 2 continua sendo a trilha sonora. Embora não tão icônica quanto a do primeiro filme, ainda assim complementa bem as cenas de ação. O tema “Axel F” de Harold Faltermeyer faz uma reaparição, trazendo uma sensação de continuidade e nostalgia.

Apesar das críticas à direção estilizada de Tony Scott, é inegável que ele trouxe uma energia visual distinta ao filme. As cenas de ação, embora às vezes confusas, são relativamente bem coreografadas. O estilo “hip” e a atmosfera de alta octanagem refletem a era dos anos 1980 e adicionam um charme particular ao filme.

Um Tira da Pesada 2 consegue capturar alguns dos elementos que fizeram do original um sucesso, mas peca pela falta de consistência e pela ênfase excessiva na ação frenética em detrimento do desenvolvimento de personagens e da trama. Eddie Murphy ainda é a estrela que mantém o filme assistível, mas a sequência não consegue alcançar o mesmo nível de magia e diversão que seu antecessor.

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AUTOR

Felipe Fornari

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