Um Tira da Pesada 3

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"Um Tira da Pesada 3": A queda de uma franquia

Um Tira da Pesada 3 tenta mais uma vez capturar o charme e a energia que tornaram o original um sucesso, mas infelizmente, falha. Eddie Murphy retorna como o detetive Axel Foley, mas a magia que ele trouxe para o papel em 1984 parece ter se dissipado neste terceiro capítulo da série.

A trama começa com uma tragédia: o chefe de Axel, Douglas Todd, é assassinado durante uma batida policial. Determinado a capturar o assassino, Axel segue uma pista que o leva a WonderWorld, um parque temático em Beverly Hills. Lá, ele se reúne com seu velho amigo Billy Rosewood (Judge Reinhold) e seu novo parceiro, Jon Flint (Hector Elizondo), para investigar o que está acontecendo nos bastidores do parque.

A premissa até tem potencial, mas a execução deixa muito a desejar. O filme é marcado por uma sensação de repetição e falta de originalidade. Ao invés de trazer algo novo e excitante, ele se apoia fortemente em fórmulas desgastadas e clichês previsíveis. A ação é genérica e as piadas, muitas vezes, caem no vazio.

Uma das grandes forças do primeiro Um Tira da Pesada foi a habilidade de Eddie Murphy em equilibrar humor e ação, além de sua química com o elenco de apoio. No entanto, neste terceiro filme, Murphy parece estar no piloto automático, entregando uma performance que carece da energia e do carisma que o tornaram uma estrela. A química entre Murphy e Reinhold, que foi um dos destaques dos filmes anteriores, também parece enfraquecida.

O diretor John Landis, conhecido por seu trabalho em comédias como Os Irmãos Cara-de-Pau, não consegue encontrar o tom certo aqui. O filme oscila desajeitadamente entre comédia pastelão e ação violenta, muitas vezes resultando em uma experiência desconfortável para o espectador. As cenas de ação são desprovidas de criatividade e as tentativas de humor frequentemente falham em arrancar risadas.

Além disso, o roteiro de Steven E. De Souza, que colaborou em sucessos como Duro de Matar, parece preguiçoso e mal concebido. A história acontece de maneira previsível e sem inspiração, e os personagens, que poderiam ter sido desenvolvidos de forma interessante, são deixados de lado em favor de sequências de ação sem alma. O vilão da vez, interpretado por Timothy Carhart, é particularmente sem brilho e sem ameaças reais, tornando difícil se importar com o conflito central.

Outro problema significativo é a falta de sensibilidade do filme em relação ao contexto social. Em uma era pós-Rodney King, a abordagem do filme sobre violência policial e questões raciais parece insensível e desatualizada. Há uma cena inicial que, de forma desconcertante, passa rapidamente do humor para a violência gráfica, criando um tom dissonante e perturbador.

Embora Um Tira da Pesada 3 tenha alguns momentos divertidos e nostálgicos, no geral, ele se sente como uma oportunidade perdida. A franquia que começou com tanto potencial se desgasta com este terceiro capítulo, oferecendo pouco em termos de inovação ou emoção genuína. O filme não só falha em recapturar a magia do original, mas também subestima a inteligência e as expectativas do seu público.

Em resumo, Um Tira da Pesada 3 é um exemplo clássico de como uma sequência pode sair pela culatra quando falta criatividade e paixão. Eddie Murphy, um talento inegável, merece material melhor para trabalhar, e os fãs da franquia merecem uma conclusão mais digna e satisfatória para a saga de Axel Foley (que venha o quarto filme, na Netfix, 40 anos depois do original – veremos!).

Conheça os demais filmes da franquia

Clique nos pôsteres para ler nossa crítica sobre o filme.

UM TIRA DA PESADA
(1984)

UM TIRA DA PESADA 2
(1987)

UM TIRA DA PESADA 3
(1993)

UM TIRA DA PESADA 4: AXEL FOLEY
(2024)