Westworld – 1ª Temporada

05.12.2016 │ 06:47

05.12.2016 │ 06:47

O método cartesiano de entender o pensamento e a verdade surgem a partir da dúvida e suas deduções. Constrói um raciocínio de que tudo é incerto exceto o pensar e o existir. Se penso e logo existo, então eu sou alguém por completo. Com essa premissa filosófica entra em cena a nova série original da HBO, Westworld. A promessa direta de uma ficção científica que pretende arrastar uma leva de fanáticos para um mundo novo e particular.
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Mas na verdade essa história não é uma novidade. Baseada no filme original de 1973 de Michael Crichton, a série adaptada por J.J. Abrams, Jonathan Nolan e Lisa Joy, que dispensam apresentações, dá um salto gigante para uma narrativa relevante e atual sobre um parque temático onde ricaços passam suas férias imersos em um mundo de velho oeste habitado por robôs caracterizados. Ainda sobre as referências, talvez a maior delas, assim como foi feito em Matrix, é Alice no País das Maravilhas. Dolores (Evan Rachel Wood, de Across the Universe) com seu cabelo louro e vestido azul lembram a protagonista, o Dr. Ford (Anthony Hopkins, de Thor) representa o Coelho Branco e o Homem de Preto (Ed Harris, de As Horas) seria o Chapeleiro Maluco. Algumas nuances de atuação relembram diversas produções do mesmo gênero, como Eu, Robô, no maior estilo revolução das máquinas.
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Os anfitriões, como são chamados os robôs criados pelo Dr. Ford e pelo misterioso Arnold, são programados para receber os visitantes desse parque e viverem a mesma vida dia após dia, com as mesmas memórias construídas e funções motoras e intelectuais tão perfeitas que chegam a se confundir com os clientes. Em sua forma mais crua, o parque de Westworld foi feito para os humanos liberarem suas fantasias mais selvagens e obscuras. Eles podem matar os anfitriões e fazer o que quiserem naquele mundo sem consequências maiores e até o fazem com alegria, argumento que facilita a humanização e proximidade dramática dos próprios robôs que parecem ter mais virtudes que seus criadores. A ironia é justamente essa. Inclusive a relação entre os dois criadores é o pano de fundo para todas as configurações de narrativa e do passado configurado a cada anfitrião que vez ou outra se rebelam. Como diz Anthony Hopkins a Bernard (Jeffrey Wright, de 007 – Cassino Royale) no episódio 9, “nunca confie nos humanos, eventualmente eles vão te decepcionar”, a ideia é brincar com a realidade num jogo perigoso de consciência que questiona se devemos viver aquilo que somos programados ou aquilo que queremos.
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A fórmula comum da HBO de construir suas histórias é bem vista nessa superprodução que vem cheia de bons atores do cinema e não desperdiça nem quem você acredita ser um mero coadjuvante, o espaço na trama está reservado para todos. O design arrojado e inovador serão um prato cheio para os cosplayers e para a identidade forte que a série promove como o banho do humanoide e a própria ambientação do velho oeste por si só. Valores que somam para Westworld conseguir ser o que promete, uma febre pop assim como é Game of Thrones.
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Muitas teorias são apontadas em torno da série que pouco mistura seus núcleos, fazendo acreditar que a linha temporal pode se passar num período de 30 anos e não dá para saber o que é passado, presente e futuro, a não ser a narrativa da anfitriã Maeve, muito bem interpretada por Thandiwe Newton (2012), que teve seu momento de auto consciência ao som de Back To Black de Amy Winehouse, tocado no piano do cabaré. Ainda que o contexto entre Dolores, William (Jimmi Simpson, de House of Cards) e Teddy (James Marsden, o Ciclope de X-Men) seja incerto, há muito o que ser desvendado nesse ciclo de memórias. Com tantas possibilidades de tramas futuras e com o recurso de alterar as interações entre anfitriões e humanos constantemente, a série tem muito potencial para se expandir na já anunciada segunda temporada e conseguir responder as teorias aos poucos com mais reviravoltas.
Nota:

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