Bear é um romântico incurável, mas, sendo muito reservado, não consegue se declarar para sua amiga de infância, Nikk. No entanto, ao usar o “Salgueiro do Desejo”, sua vida muda completamente.
Obsessão, escrito e dirigido por Curry Barker, com trilha sonora de Rock Burwell, cinematografia de Taylor Clemons e estrelado por Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson, e Megan Lawless. É um drama de horror que proporciona uma experiência angustiante, cruel e surpreendentemente melancólica. Profundo e traumatizante, Obsessão vai fazer você agir melhor nos seus relacionamentos.
“Careful what you wish
You just might get it”
Metallica – King Nothing
Habitantes dos cantos escuros da internet, sejam bem-vindos a mais uma montanha russa de emoções, em que desejos mal pensados transformam esperança em Obsessão.
Em uma pegada mais “Terror Elevado” com fortes momentos de impacto, a obra busca comentar em forma de drama romântico e jovem, – em diferentes camadas – sobre desejo e corrupção, amor e dependência, moralidade e relacionamento abusivo. Por isso, se o leitor busca um terror comum, não irá encontrar, e digo mais, as chances são de que irá sair reflexivo e até mesmo um pouco traumatizado.

A história gira em torno de um grupo de amigos (Bear, Nikki, Ian e Sarah), que se conhecem desde a infância, trabalham em uma loja de instrumentos musicais, e uma vez por semana ainda saem juntos para drinks e uma competição saudável. Porém tudo muda quando Bear usa o One Wish Willow (Salgueiro do Desejo), para fazer com que Nikki o “ame mais que tudo no mundo”, e é a partir desse momento que o núcleo importante do filme, e as reflexões começam a acontecer.
Michael Johnston e Inde Navarrette carregam a dramaticidade nas costas, não meramente pela película ser focada em seus personagens, mas sim pela qualidade de suas atuações, possuindo um grande alcance, expressando exatamente o que os personagens e as cenas exigem, indo da doçura até a insanidade total em segundos.
Eu não sei se muitas vezes eu assisti a filmes dos anos 80 em que alguém entrava em uma lojinha, comprava um item mágico, e a coisa toda desandava, mas, pra mim, esse “elemento narrativo” sempre me remete a isso, muito embora, parcial ou integralmente, possa ter origem centenária, como em A Pata do Macaco de W. W. Jacobs, acontece algo semelhante em Hellraiser (1987), assim como em Enterrando Minha Ex (2014), de qualquer maneira, eu acho isso o máximo, pois pra mim traz uma aura retrô e fantástica.
O grupo de personagens não é tão bem desenvolvido o tempo todo, mas, ao longo do filme são acionados, se revelando aos poucos. E além disso, dentro da proposta, a história se desenvolve de forma sólida.
Como já citado, Obsessão traz temas pesados e fortes reflexões, sobretudo em relação a relacionamentos, sejam amizades ou amores, dentro disso, o que é saudável ou não, respeito e amor próprio, limites, e também o quanto somos responsáveis ou não pela pessoa que cativamos. E relacionado ao fim do namoro, quando ele acaba, a vida continua, e nós seguimos com uma pesada carga de tudo de péssimo que sobrou, todos os nossos erros e consequências, estão lá para nos fazer companhia.

“Olha, olha, olha, se não são as consequências das minhas atitudes…”
Comportamento errático, uso de drogas e saúde mental, em maior ou menor grau também são comentados e relacionados entre si, adicionando assim mais uma camada psicológica ao drama.
No entanto, o confronto moral, o cinismo, a conveniência, mesmo reconhecendo o erro e/ou a maldade ali presente, revela a corrupção, e a aceitação de até onde a pessoa pode ir em benefício próprio, na minha opinião é justamente o ponto central pelo qual faz essa obra ser tão madura.
Obsessão é um drama de romance teen de muita personalidade, sob uma atmosfera apreensiva e aterrorizante, possuindo um certo tom de “esquisitice”, com elementos do suspense psicológico, terror sobrenatural, fantasia de horror, com jumpscare moderno e muito gore quando se faz necessário (fazendo uso pesado de Efeitos Práticos). Tudo isso muito bem embalado em uma direção artística belíssima, e aliado à trilha sonora, um ótimo trabalho de cinematografia, contando a história visual de maneira cativante e imersiva.
Eu realmente acho que esse filme não apenas superou as expectativas, como fez muito bem o seu trabalho de contar uma criativa e interessante história, trazendo assuntos relevantes e atuais, sendo um ótimo entretenimento de terror (fiquei com o corpo todo arrepiado em alguns momentos), com uma massiva e traumatizante carga dramática. Por isso uma nota altíssima de 4,5 de 5.







