Todo Mundo em Pânico 5

(2013) ‧ 1h28

28.06.2013

Uma franquia em ruínas

Todo Mundo em Pânico 5 surge como uma tentativa tardia de manter viva uma franquia que já dava sinais claros de esgotamento. Apostando em uma nova dupla protagonista e abandonando figuras centrais dos filmes anteriores, o longa tenta se reinventar ao mirar em sucessos recentes do terror, como Atividade Paranormal, Mama, Sobrenatural e A Morte do Demônio. O problema é que, mais uma vez, a referência substitui a criatividade.

A estrutura segue a mesma lógica dos anteriores: uma sucessão de esquetes frouxamente conectadas, onde a narrativa pouco importa. Aqui, no entanto, essa fragilidade fica ainda mais evidente, já que as piadas raramente encontram um ritmo eficaz. O que antes era caótico, mas ocasionalmente engraçado, agora soa apenas desorganizado e cansativo.

Sem a presença de nomes como Anna Faris ou os irmãos Wayans, o filme perde muito de seu carisma. Ashley Tisdale e Simon Rex até tentam sustentar a proposta, mas o material que recebem é tão fraco que pouco conseguem fazer além de repetir caretas e situações constrangedoras sem impacto cômico real.

O humor aposta pesado no escatológico e no vulgar, mas sem o timing necessário para transformar exagero em riso. Muitas piadas parecem esticadas além do necessário, enquanto outras simplesmente não encontram qualquer efeito. A sensação é de um roteiro que confunde choque com humor, sem entender a diferença entre os dois.

As inúmeras participações especiais também não ajudam. Em vez de agregar valor, surgem como interrupções gratuitas, reforçando a impressão de um filme que tenta compensar sua falta de ideias com rostos conhecidos. Mesmo quando alguma gag parece promissora, ela é rapidamente desperdiçada.

Outro problema é a defasagem das referências. Ao parodiar filmes que já estavam saturados ou até ultrapassados no momento do lançamento, Todo Mundo em Pânico 5 evidencia uma desconexão com o próprio tempo. A sátira perde força quando não dialoga com o presente, tornando-se apenas uma repetição sem propósito.

No fim, o filme funciona como um retrato claro de uma fórmula levada além do limite. Sem inventividade, sem frescor e sem a energia que um dia definiu a franquia, Todo Mundo em Pânico 5 encerra esse ciclo de forma apagada — mais como um eco distante de algo que já foi relevante do que como uma comédia capaz de se sustentar por si só.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Felipe Fornari

OUTRAS CRÍTICAS

Educação

Educação

Jenny, uma garota de 16 anos, descobre os caminhos do mundo no drama Educação, mas há uma revelação para o público também: uma jovem atriz emocionante que merece se tornar uma estrela. Carey Mulligan é radiante como uma adolescente suburbana de 1961. Ela faz uma Jenny...

Os Vingadores

Os Vingadores

Tá aí uma estreia que ficará marcada na história do cinema. Os Vingadores finalmente chegou, depois de ser prometido lá na cena pós-créditos de Homem de Ferro, e não decepcionou nem um pouco. Sob a direção habilidosa de Joss Whedon, este épico reúne alguns dos...

Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes

Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes

Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes é um thriller psicológico que marca a estreia de Abel Tesfaye, conhecido como The Weeknd, como protagonista e co autor do roteiro. Dirigido por Trey Edward Shults (As Ondas, Ao Cair da Noite), o longa acompanha um músico insone...