Cansei de Ser Nerd

(2026) ‧ 1h27

22.05.2026

Preso no passado e afogado em referências

Vinte anos depois de deixar a escola para trás, um homem decide voltar ao reencontro da antiga turma carregando a mesma acusação que destruiu sua juventude, tentando revisitar um desaparecimento nunca resolvido enquanto encara pessoas que parecem congeladas naquela época. Essa ideia inicial até cria uma tensão interessante entre nostalgia e ressentimento, principalmente porque o reencontro transforma o passado num espaço desconfortável, cheio de versões idealizadas de quem aqueles personagens acreditavam ser quando ainda estavam presos à lógica adolescente de pertencimento, exclusão e reconhecimento.

Só que o filme rapidamente abandona essa camada mais humana para mergulhar num excesso interminável de referências nerds, teorias de ficção científica, citações de cultura pop e explicações que surgem sem qualquer organicidade dentro da narrativa. Tudo parece existir apenas para gerar identificação imediata, utilizando símbolos conhecidos desse universo geek sem construir peso dramático ou significado real para quase nenhuma dessas ideias. O roteiro acumula conceitos e conexões numa velocidade tão ansiosa que raramente encontra tempo para desenvolver os próprios personagens, transformando praticamente todo mundo em caricaturas presas a trejeitos, exageros e comportamentos fabricados para parecer excêntricos.

O humor acompanha exatamente essa mesma energia caótica, apostando em diálogos acelerados e situações absurdas que dificilmente encontram ritmo suficiente para funcionar. A direção mantém um fluxo frenético o tempo inteiro, mas essa insistência em nunca desacelerar faz com que a experiência se torne cansativa muito rápido, principalmente porque a história nunca encontra um eixo emocional forte o bastante para sustentar toda a confusão narrativa que vai surgindo pelo caminho.

Quando tenta transformar esse amontoado de referências e conceitos em algo emocionalmente relevante, a sensação já é de desgaste completo. O resultado acaba parecendo menos uma narrativa sobre trauma, amadurecimento e reconciliação com o passado e mais um esforço desesperado para soar inteligente, referencial e excêntrico sem jamais encontrar clareza ou personalidade própria.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Rapha Ritchie

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