O Amor no Divã

() ‧

08.12.2016

"O Amor no Divã" deve conquistar aqueles que buscam uma história divertida

Já dizia algum filósofo por aí que se colocássemos nossos problemas numa mesa e víssemos os problemas dos outros, pegaríamos os nossos de volta. O Amor no Divã fala sobre os problemas de relacionamento enfrentados por casais que já passaram da fase da paixão louca e entraram na famigerada e (para alguns) tenebrosa rotina.

Miguel (Paulo Vilhena) e Roberta (Fernanda Paes Leme) são diferentes feito água e vinho. Ela é de exatas, ele de humanas. Ela trabalha com números e estatísticas, enquanto ele trabalha com músculos e suplementos. Ela é ambiciosa e ele, acomodado. Gosta de sair e ir a locais sofisticados, já ele gosta de ficar em casa e de coisas simples. A fase da lua de mel há tempos se foi e decidem ir a uma terapeuta de casal para resolver seus problemas por ideia de Miguel, que ouve a dica de uma aluna na academia, secretária da terapeuta.

A partir daí, a troca de farpas é certeira. Mas a Dra. Malka (Zezé Polessa, hilária!), feito santa milagreira, diagnostica que em 5 sessões poderá ajudá-los. Embora fique explícito que a sessão custa uma fortuna, os dois concordam enfim em topar o desafio.

Então ficamos a par da rotina de ambos os casais, o em terapia e o da terapeuta Malka, casada há 30 anos com José (Daniel Dantas, ótimo no papel). O que descobrimos é que não há muita diferença entre ambos, sua rotina é bem similar, e que ficar junto dá trabalho mesmo, já que a convivência sempre requer escolhas e renúncias. Novamente, vemos que uma das grandes vilãs dos relacionamentos são as expectativas que criamos em relação ao parceiro. A comunicação (ou falta dela) torna-se o grande empecilho para o dia a dia entre esses casais.

O elenco está bem afiado, com destaque para Zezé Polessa, que faz as melhores observações do filme apenas com o olhar e o subentendido que diz mais do que palavras poderiam. Daniel Dantas também está ótimo como o marido meio desligado e relaxado. Paulo Vilhena e Fernanda Paes Leme se conhecem de outros carnavais (lembram de Sandy e Junior?), então não falta química entre os dois.

Com sequências simples com as quais o público com certeza irá se identificar, o filme deve conquistar aqueles que buscam uma história divertida, leve e que brinca com o que há de mais normal na vida: relacionamentos. Não deixe de comprar pipoca, mas cuidado para não engasgar dando risadas.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Marcela Sachini

OUTRAS CRÍTICAS

O Estrangeiro

O Estrangeiro

O Estrangeiro acompanha Meursault, um francês indiferente e apático que vive na Argélia ocupada dos anos 1930 e demonstra uma completa aversão pela vida. Quando sua mãe morre, nenhuma emoção parece comover Meursault, que não deixa cair nenhuma lágrima pela perda. Já...

Butterfly

Butterfly

Em Butterfly, Florence Miailhe constrói um delicado mergulho na memória a partir de um gesto simples: um homem nadando no mar. À medida que o corpo avança pela água, lembranças vêm à tona, conectando infância, maturidade e identidade em um fluxo contínuo. A água não é...

As Vantagens de Ser Invisível

As Vantagens de Ser Invisível

Stephen Chbosky dirige o seu segundo longa-metragem, uma adaptação enxuta e comovente do romance de sua própria autoria. “As vantagens de ser invisível” é espelho da própria temática: a princípio, nada chama a atenção. Não é presunçoso, não se coloca ao lado das obras...