Aquele Sentimento de Verão

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13.01.2017

"Aquele Sentimento de Verão" retrata a superação de um amor que partiu cedo demais

Medimos a vida em tempo. Segundos, horas e minutos. Dias, meses, estações. Quanto tempo levamos para curar um coração partido? Aquele Sentimento de Verão retrata a superação de um amor que partiu cedo demais, sem aviso, algo tão comum, mas tão distante do plano que temos para nossas vidas.

O tradutor e escritor Lawrence (Anders Danielsen Lie) está em Berlim quando se vê vivenciando a perda de sua companheira, Sasha (Stéphanie Daub-Laurent), repentinamente. Ele conta com o apoio da família de Sasha nesse momento difícil compartilhado por todos que a amavam. E Lawrence e Zoé (Judith Chemla), irmã de Sasha, aproximam-se a partir da dor e a confusão da perda.

Prova do quão condicionados estamos a querer superar os acontecimentos o mais rápido possível é o estranhamento que causa ao vermos um homem de fato sofrendo o luto da amada. Tal qual o ano, ele passa por períodos, cidades e humores diversos, seguindo em frente, aprendendo uma coisa ou outra no meio do caminho.

O formato lembra a trilogia Antes do Amanhecer nas reflexões em meio a caminhadas e paradas em parques. Os diálogos são menos poéticos, mais realistas. E se assemelha também a Um Dia, ao escolher apenas uma época do ano para mostrar a evolução e o amadurecimento de Lawrence e também de Zoé. O verão, sempre ele, representando as fases pelas quais o protagonista passa até sentir-se inteiro novamente. Há alguns verões, cada um em uma cidade, cada um explorando novas emoções.

A grande proeza da direção é mostrar de forma realista e não melodramática tudo que envolve essa experiência trágica. A sensação de incredulidade, de estranheza, profunda tristeza, reflexões e tempo passado junto aos amigos e parentes faz com que o público se identifique com o personagem, os personagens conectados por Sasha. A atuação de Anders Danielsen Lie parece tão natural que chego a acreditar por alguns instantes que ele está vivendo tudo aquilo. A trilha suave e acanhada, porém tão precisa e ideal ajuda com o tom indie e delicado da produção. Aproveite que estamos bem na época do verão e de resoluções de ano novo e não perca mais esse filme do My French Film Festival.

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AUTOR

Marcela Sachini

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