Algo de Novo

() ‧

02.09.2017

Apesar de apresentar uma situação interessante Algo de Novo fica no limbo e mostra um lado fraco das comédias italianas

O gênero das comédias românticas no cinema parecem ter uma fórmula bem própria de se construir, os relacionamentos sempre apontam alguma problemática para que se resolvam de forma divertida, prometendo imprevistos e um desfecho que traga algum aprendizado – mesmo que, às vezes, torto – para os protagonistas. Não é muito diferente com Algo de Novo, da italiana Cristina Comencini. O filme apresenta um olhar, da perspectiva das mulheres, sobre um relacionamento de um jovem de dezenove anos e duas amigas, próximas dos quarenta anos. Apesar de várias colocações interessantes sobre situações comumente voltada aos homens, o filme fica num limite, não sabendo muito bem para onde quer ir, se mostrando mediano, oferecendo nem diversão, muito menos reflexão.

As amigas Lucia (Paola Cortellesi) e Maria (Micaela Ramazzotti) estão próximas dos quarenta anos, se conhecem há muito tempo e vivem dilemas comuns apesar de terem duas personalidades totalmente diferentes. Lucia é uma prodigiosa cantora de jazz, recém divorciada e conhecida por ser mais séria. Já Maria tem dois filhos e não perde uma oportunidade de sair com caras pelos quais se sente atraída. Uma julga a outra, propondo sempre um embate, causando uma tensão quando ambas se relacionam com um homem bem mais jovem, mas que traz uma espécie de frescor para suas vidas. A diversão de Algo de Novo está justamente no jogo entre as duas com as formas que escolhem de esconder o relacionamento com Luca (Eduardo Valdarnini), nenhum dos três está ciente que o triângulo amoroso está em andamento, causando muitas situações corriqueiras.

A diretora opta pela predominância do drama e tenta propor algumas reflexões sobre como as mulheres são julgadas pela sua idade, desde a aparência física até as escolhas sobre como viver suas vidas e relacionamentos. Luca também não deixa de ter suas complexidades, ele está no último ano do liceu (algo como o ensino médio no Brasil) e não sabe muito bem de que forma se tornará um adulto. Os três se relacionam de formas interessantes, resolvendo, cada um, seus próprios conflitos pessoais. Mas, infelizmente o longa não sai disso, não conseguindo se desenvolver e ficando numa zona de muito conforto.

Cristina Comencini tem uma boa filmografia, trabalhando como diretora desde o fim dos anos 80, propondo novas temáticas no cinema italiano mais comercial. Algo de Novo é uma espécie de dramédia que fica apenas na posição de entretenimento – roteiro, direção de atores e etc. – tratando tudo de forma bem didáticas. Não basta apenas apresentar um olhar opositivo sobre uma situação corriqueira, como é o caso de relacionamentos intergeracionais. O cinema deve propor algum embate estético, um roteiro no mínimo instigante. Infelizmente isso não acontece aqui.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Emanuela Siqueira

OUTRAS CRÍTICAS

Antonia

Uma das maiores oportunidades deste Festival Olhar de Cinema é justamente poder se render a um novo olhar da sétima arte. Estamos tão habituados à perspectiva usual comercial, com fórmulas e clichês, que é um deleite ver um filme mais reflexivo, calmo, porém...

O Picolino

O Picolino

Em 1935, o mundo do cinema testemunhou o esplendor da dança e a química impecável de Fred Astaire e Ginger Rogers em O Picolino, dirigido por Mark Sandrich. Este filme icônico, repleto de elegância e charme, é lembrado por suas extraordinárias sequências de dança que...

Reencontrando a Felicidade

Reencontrando a Felicidade

Reencontrando a Felicidade é um drama que observa o luto com uma delicadeza rara, interessado menos nos grandes rompantes emocionais e mais nos silêncios desconfortáveis que se instalam após a tragédia. A morte repentina do pequeno Danny rompe a estrutura de Becca e...