Esta é a Sua Morte – O Show

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22.09.2017

“Esta é a Sua Morte – O Show” faz crítica mortal a realities enquanto se esbalda nas mesmas fórmulas

Não tem nenhuma novidade em dizer que reality shows são uma porcaria que explora o voyeurismo, e que as mídias lucram com a desgraça alheia. E hoje são comuns os filmes que fazem crítica a tudo isso, alguns funcionando muito bem, como O Abutre, e O Show de Truman, enquanto outros, como o lançamento, Esta é a Sua Morte – O Show, patina e usa clichês horrorosos para no final não contar nada diferente.

A história é basicamente essa: um apresentador de TV, Adam Rogers (Josh Duhamel), presencia a morte de dois participantes do reality que apresentava. Depois disso ele pira, e desanda a criticar a TV e seu papel como exploradora das desventuras humanas. Mas não demora muito para ele vender a alma para um novo demônio e apresentar um reality ainda pior, que faz dinheiro mostrando pessoas se matando ao vivo na TV.

Olha, o filme começa bem, com Adam mandando bem na crítica à TV e seus formatos desgastados e estúpidos, e a necessidade do ser humano de dar uma espiada na vida do vizinho, mas aí a coisa descamba, e personagens rasos e sem personalidade, aliados a uma trama sem graça e previsível (eu fiquei o filme todo achando que ia ter uma virada, que o cara tava escondendo o jogo, mas não!), e uma trilha sonora totalmente errada, com cenas de suspense embaladas com trilha de drama (socorro!), acabam com o que poderia ter sido um bom filme.

A melhor cena do filme é o discurso do Mason (Giancarlo Esposito, que dirige o filme), se bem que o personagem forçou um pouco a barra. Apesar de acreditar que muitas pessoas estão na situação de desemprego pós-crise nos EUA (e no mundo todo, na verdade) e sofrendo da mesma forma, o personagem não conseguiu me convencer. A única que parecia autêntica era a irmã do Adam, Karina (Sarah Wayne Callies), com uma personagem que até ajudava a dar toques de humanidade a Adam.

No geral, o filme é uma droga mesmo. Pregando o quão ridículo são os reality shows e a exploração da desgraça alheia e a morbidez de espiar pessoas morrendo ao vivo na TV (se bem que os telejornais não economizam em cenas desse tipo hoje em dia, e a maioria das pessoas está meio que amortecida para a violência, que é simplesmente banalizada), mas fazendo a mesma coisa no filme, mostrando para nós, audiência, pessoas morrendo de formas horrendas em frente à câmera. Hum… crítica rasinha, hein? Minha dica? Fica em casa assistindo um telejornal qualquer que você ganha mais 😀

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AUTOR

Melissa Correa

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