Pendular

Em “Pendular” uma dançarina contemporânea e um artista plástico vão provar quão tênue pode ser a divisão entre a vida e a arte

24.09.2017 │ 09:27

24.09.2017 │ 09:27

Em “Pendular” uma dançarina contemporânea e um artista plástico vão provar quão tênue pode ser a divisão entre a vida e a arte

O espaço físico é delimitado por linhas no chão e pela imposição da personalidade do casal. Cada um tem um jeito específico de se expressar: ele de maneira sólida, através de blocos de madeira, de concreto, cabos de aço e solda. Ela através de movimentos fluidos, leves, que surgem a partir da observação do cotidiano.

O galpão em que eles vivem e colocam toda sua criatividade em prática tem um aspecto inverso ao do relacionamento: enquanto o espaço parece já ter expressado todo seu potencial e aguarda a própria ruína, eles descobrem em si e no outro coisas novas a cada dia. Nem sempre é algo bom, as vezes é inquietante, as vezes era algo que estava ali no mesmo espaço que eles e não foi percebido antes. As vezes é algo impossível de ser ignorado, as vezes é impossível de ser compartilhado, e as vezes é tão maravilhoso que apenas quando se é uma extensão de outra pessoa é possível de compreender a descoberta.

Vencedor do Prêmio dos Críticos no Festival de Berlim 2017, Pendular desperta a curiosidade e por um tempo a trama parece não levar a lugar nenhum, até que o espectador pisca e a conexão está lá.

Os personagens parecem ter vestido a pele dos atores, tão certa foi a interação de cada um. A direção de Júlia Murat, mostra um olhar artístico que assegurou que a história tivesse momentos dedicados exclusivamente à arte, outros para a vida à dois, outros para a busca pela própria identidade, e todos eles tem um olhar par ao cinema.

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