Casablanca

(1942) ‧ 1h42

07.09.1943

"Casablanca" é um dos maiores filmes de todos os tempos, pelos melhores motivos

Não é exagero dizer que Casablanca pode ser o filme mais amado da América. Ele teve mais críticas e resenhas escritas sobre ele do que qualquer outro filme. Desde seu lançamento em 1943, as lendas e rumores ao redor da produção geraram quase tanta atenção quanto o produto final.

No final das contas, embora seja fascinante examinar e dissecar tudo o que pode ter acontecido na produção de Casablanca, o maior prazer que alguém pode ter é simplesmente assisti-lo. Além de algum conhecimento básico da história mundial daquela época, pouca experiência é necessária para avaliar a força e o poder do longa. Casablanca realiza aquilo que só um grande filme consegue fazer: ele envolve o espectador na história, forja um elo inquebrável com os personagens, e só nos deixa ir quando sobem os créditos finais.

Ao contrário de muitos filmes que mais tarde se tornaram clássicos, Casablanca foi popular em sua época. O filme recebeu 8 indicações ao Oscar, levando três estatuetas (Melhor Roteiro, Direção e Filme). A primeira vez que vi Casablanca, no início dos anos 2000, lembro-me de observar como o filme parecia “moderno”. Embora muitos filmes dos anos 1930 e 1940 pareçam terrivelmente datados quando vistos hoje, Casablanca se sai muito bem. Os temas de valor, sacrifício e heroísmo ainda soam verdadeiros, os diálogos não perderam sua inteligência, a atmosfera (realçada pela excelente fotografia em preto e branco) com aquela escuridão que se aproxima, é tão palpável como sempre e os personagens ainda são tão bem representados e tridimensionais quanto eram há quase oitenta anos.

Quase todo mundo conhece a história, que se passa cerca de um ano depois que os alemães invadiram a França. Ilsa (Ingrid Bergman, de Quando Fala o Coração) e seu marido, o tcheco Victor Laszlo (Paul Henreid, de O Pirata dos Sete Mares), entram no Rick’s Cafe, em Casablanca. Os dois estão fugindo dos nazistas e vieram se refugiar na propriedade de um americano para se esconder. Mas o governo local, controlado pelos alemães, chefiado pelo capitão Louis Renault (Claude Rains, de O Homem Invisível), está em movimento, e Laszlo precisa agir rapidamente para obter as cartas de salvo conduto que vieram buscar para escapar para Portugal e de lá para a América. Ilsa mal sabe que o café é dirigido por Rick Blaine (Humphrey Bogart, de Uma Aventura na África), o único amor verdadeiro de sua vida. Quando os dois se veem, faíscas voam e as memórias de uma época encantada em Paris vêm à tona.

Bogart e Bergman. Quando alguém menciona Casablanca, esses são os dois nomes que vêm à mente. Os atores foram as melhores escolhas possíveis e criam um nível tão palpável de tensão romântica, que é impossível imaginar qualquer outra pessoa em seus papéis. Bogart está em sua melhor forma como o cínico durão que esconde um coração partido sob uma camada de sarcasmo. A chegada de Ilsa em Casablanca abre as fissuras na carapaça de Rick, revelando uma personalidade complexa que exige todo o poder de atuação de Bogart. Enquanto Ilsa, Bergman brilha em tela. Todos se encantam por ela.

Não é preciso dizer que Hollywood não faz mais filmes como este, porque o final agridoce não é algo que o público atual tolera, aparentemente. Se Casablanca fosse feito hoje, Rick e Ilsa escapariam no avião após evitar uma saraivada de tiros, não haveria uma bela amizade entre Louis e Rick e quem sabe o que teria acontecido com Victor Laszlo, mas ele não teria ficado com a garota. Uma das coisas que torna Casablanca único é que ele permanece fiel a si mesmo, sem ceder às percepções comuns de táticas para agradar ao público. E por isso, Casablanca se tornou conhecido como um dos maiores filmes de todos os tempos. Talvez a geração de roteiristas atual deva revisitar Casablanca mais vezes antes de apelar tanto ao obrigatório “felizes para sempre”.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Felipe Fornari

OUTROS INDICADOS

Uma Mente Brilhante

Uma Mente Brilhante

Uma Mente Brilhante é um filme com um roteiro muito bem escrito, um elenco extremamente eficaz e um valor de produção muito bem trabalhado. Enquanto ganhador do Oscar, é lembrado por algo extremamente simples: um filme não precisa ser inovador para ser atraente....

Adoráveis Mulheres

Adoráveis Mulheres

Greta Gerwig revisita o clássico de Louisa May Alcott em Adoráveis Mulheres de forma audaciosa, capturando a essência das irmãs March enquanto subverte expectativas com uma estrutura narrativa ousada. Em vez de seguir a história cronologicamente, Gerwig adota uma...

F1: O Filme

F1: O Filme

F1 é o tipo de filme que parece destinado a dividir opiniões: para os fãs da Fórmula 1, é um espetáculo que une velocidade, realismo e carisma; para quem busca uma narrativa mais pé no chão, é um desfile exagerado de testosterona e clichês. Mas o que ninguém pode...