Código: Vingança

(2026) ‧ 1h35

Vingança sem motivo, ação sem surpresa

Giovanni Paoli

Código: Vingança é uma obra que parece ter medo de deixar qualquer coisa para o espectador descobrir. Cada passo da trama é telegrafado, cada virada pode ser prevista com facilidade e os primeiros 20 minutos praticamente entregam tudo o que pretende fazer. A premissa é simples e o conflito é direto, mas ainda assim falta uma motivação capaz de nos convencer a embarcar nessa jornada.

É também um longa com a cara de Jason Statham. O ator interpreta, mais uma vez, o sujeito praticamente indestrutível que resolve qualquer problema na base da força, da experiência e de alguns golpes bem aplicados. Statham tem presença suficiente para fazer esse tipo de personagem funcionar, mas a produção depende tanto da imagem que o público já tem dele que pouco se preocupa em construir algo além disso.

Como todo herói, o passado de Cole, o protagonista, é marcado pela tragédia. Depois da morte de seu pai, ele se refugia em Bangkok e vira segurança de um bilionário do ramo de transportes. Daqueles que honram o salário até o fim, daqueles que morrem pelo seu senhor se for preciso. Quando seu chefe vem a falecer em uma conspiração confusa e pouco convincente, Cole decide, por algum motivo, se vingar.

O roteiro ainda precisa acelerar as coisas e, poucas horas depois do assassinato, transforma o próprio guarda-costas no principal suspeito. De repente, dá a impressão de que o país inteiro chegou à mesma conclusão. Um show de conveniências que empurra o protagonista para a próxima etapa sem se preocupar muito em convencer. A investigação, que poderia servir para dar algum drama à busca, vira apenas uma desculpa para colocá-lo em movimento.

A busca leva Cole até um navio onde acredita encontrar algumas das respostas sobre a morte do patrão. É lá que encontra Angie Ellis (Annabelle Wallis). O que ela está fazendo ali é difícil dizer. Está lá por algum motivo, imagino, mas se o roteiro não conseguiu explicar, muito menos eu vou conseguir. Os dois acabam envolvidos em uma sequência de ação enquanto a narrativa segue misturando histórias paralelas que, sinceramente, pouco acrescentam ao pseudo-desfecho da obra.

A ambientação na Tailândia é outro ponto que incomoda. Embora Bangkok seja importante para a trajetória do protagonista, a produção nunca demonstra realmente interesse pelo lugar onde decidiu contar essa história. A cidade poderia ser substituída por qualquer estado dos Estados Unidos e pouca coisa precisaria ser alterada, já que não há praticamente nada da cultura local incorporado à narrativa. Os poucos elementos tailandeses servem mais para reforçar uma visão estereotipada do país do que para fazer daquele espaço parte da trama.

As cenas de ação, por outro lado, são o que Código: Vingança tem de melhor, embora sejam poucas as que realmente funcionam. Quando Statham está fazendo aquilo que se espera dele, o longa encontra algum ritmo e consegue entregar sequências minimamente divertidas. São momentos raros, mas suficientes para mostrar que havia um filme de ação mais eficiente escondido em meio a toda essa confusão.

A sensação de que falta uma parte da produção é ainda mais incômoda. Tive a impressão de assistir a uma versão em que o miolo foi simplesmente cortado, justamente no trecho que deveria desenvolver as relações, conectar as informações e preparar o grande confronto. A narrativa chega ao momento em que precisaria amarrar tudo o que apresentou, mas algumas conexões parecem ter ficado pelo caminho. Restam as pontas soltas, uma resolução apressada e a impressão de que assistimos ao começo e ao fim de uma história sem ter visto direito o que aconteceu entre eles.

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