Presságios de um Crime

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25.02.2016

Com Presságios de um Crime, o diretor brasileiro Afonso Poyart faz sua grande estreia – e não faz feio não, viu – na sonhada terra do cinema comandando elenco estelar incluindo o eterno Hannibal Lecter, Anthony Hopkins.
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Suspense de ação policial e meio sobrenatural, conta a história de um médico e vidente aposentado (se é que isso é possível), John Clancy (Anthony Hopkins), que é chamado pelo agente do FBI Joe Merriweather (Jeffrey Dean Morgan) e sua parceira Katherine Cowles (Abbie Cornish) para ajudá-los no caso de um assassino em série que mata suas vítimas com um instrumento de cerca de 12 cm que perfura a nuca das mesmas.
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É visível que Clancy e Merriweather já possuem uma ligação anterior, então sua relação não apresenta farpas como ocorre com Clancy e Cowles. Ela que é especialista em psicologia, porém, perde uma citação de Freud que Clancy deixa no ar, mais combustível para a animosidade entre os dois. À medida que o trio vai identificando as evidências dos assassinatos, percebe-se que o assassino parece prever cada movimento e raciocínio lógico da equipe. E aí vem o twist – o assassino também é vidente, e aparentemente muito melhor que Clancy.
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Começa então o jogo de gato e rato entre videntes, com os agentes do FBI como possíveis vítimas futuras, o que é mostrado pelas visões de Clancy. Aliás, visualmente, o estilo das premonições de Clancy (só temos acesso às visões dele, não as do assassino) é bem dinâmico, com cortes secos e cores e efeitos pincelados.
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Além dos sustos gerados pelas visões no meio da investigação, temos mais um elemento surpresa – o assassino, Charles Ambrose (Colin Farrell), aparece no meio do filme, contando a Clancy sua teoria de que mata por piedade, já que quase todas as suas vítimas sofrem de alguma doença terminal. E surpreendentemente, Ambrose discute com Clancy a moral em matar por “humanidade”.
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Clancy apresenta ao longo do filme um conflito pessoal que está ligado a sua filha, e esse subtexto dramático é entendido de forma mais clara pelo título original, “Solace”, cujo significado é explicado logo no início do filme. Não deixe de conferir essa produção que leva nome brasileiro e que entrega um filme instigante, com um ritmo na medida e com uma surpresinha ou outra no meio do caminho.
Nota:

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AUTOR

Marcela Sachini

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