Super 8

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12.08.2011

"Super 8" peca por excesso e sugestiona ao espectador um passeio de bem mais de 1h52 de duração pela intersecção dos universos dos dois grandes cineastas

Exagero. O grande mal derivado da parceria entre Steven Spielberg e J. J. Abrams. “Super 8” peca por excesso e sugestiona ao espectador um passeio de bem mais de 1h52 de duração pela intersecção dos universos dos dois grandes cineastas.

A premissa é simples. Um grupo de amigos com o objetivo de fazer um filme de zumbis para um festival está gravando uma cena quando presencia o descarrilhamento não acidental (e com pretensões de ser também infinito. Sério.) de um trem de carga, do qual escapa alguma coisa (grande, barulhenta e mesmo assim despercebida); a partir de então, objetos e pessoas começam a desaparecer para desespero dos locais e de militares suspeitos, que tentam encobrir os fatos.

Daí, incontáveis conflitos. Entre um professor ex-pesquisador da aeronáutica e militares, entre militares e policiais, entre melhores amigos, Joe (Joel Courtney) e Charles (Riley Griffiths) por causa da garota popular da escola, Alice (Elle Fanning), filha de um alcóolatra. Entre Joe e o pai, perdido depois da morte da esposa. Entre o pai de Alice e o pai de Joe, que obviamente tem uma atitude à la Montecchios e Capuletos. E…. Ah é, micro-ondas estão sendo roubados do estoque! Cabos elétricos também! São os russos! Gostaria de poder comentar a cerca de mais um, mas vou manter o mistério que o próprio filme não consegue manter para evitar spoilers.

Não que o filme seja uma bagunça. Não é, aliás. O problema é que nada recebe a atenção merecida e assim só aceitamos o desenrolar brusco de cada núcleo porque os personagens são absolutamente clichês. Isso, somado a uma atmosfera de suspense com muitos sustos que dura pouco e é substituída por uma aventura com muitas explosões, faz com que o longa atinja o clímax muito cedo. E depois do clímax, só o desfecho. Lá nos últimos minutos. Resultado: clímax extremamente longo, um tanto frenético e, claro, cansativo, interrompido por momentos melodramáticos (lembram, né? Garota, pai bêbado, amigos…) que quebram seu ritmo. Fora as bandas de flare azul das lentes de Abrams pipocando na tela de tempos em tempos e não contribuindo com nada, mas que até podem ser perdoadas pelos acertos nos efeitos especiais (exagerados e barulhentos, sim, mas bem feitos).

No fim das contas, o destaque vai para o elenco adolescente. Estreantes ou veteranos, os amigos e a garota atuam com propriedade. Carregam o filme nas costas e ainda nos deixam com vontade de fazer também um filme de zumbis, com uma super 8, no final da década de 70.

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AUTOR

Fran Lipinski

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