Ator Martinez

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11.06.2016

Uma das premissas da crítica ou análise de obras de ficção é afastar o autor da sua obra. Mas tentar enxergar o trabalho sem associar a autoria – ou a realidade – nem sempre é um trabalho simples para quem consome ou se sente representado pelas obras. Em Ator Martinez, longa de Nathan Silver e Mike Ott, a direção de cinema se torna protagonista e o uso excessivo da metalinguagem deixa o espectador perdido diante de tantas camadas de representação.
Arthur Martínez é apresentado como um ator que sobrevive graças ao seu trabalho como técnico de informática. Silver e Ott se dizem apaixonados por Martínez – talvez pelo seu status de homem comum – e topam fazer um filme sobre ele, mas a figura real de Martínez sempre está presente, decidindo e opinando no trabalho dos realizadores. O protagonista quer um filme que venda, que o traga fama e satisfação ao espectador. Já os diretores – que representam a si mesmos e são conhecidos por serem parte da cena indie e alheia ao mainstream – querem apenas fazer arte e explorar as personas do ator, sem se preocupar com o impacto de mercado, por exemplo.
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Em Ator Martinez os diretores se propoem a conversar com o espectador sobre seus próprios trabalhos e fios que conduzem suas identidades artísticas, circulando longe das salas de cinemas comerciais. Quando sentam para dialogar com Martinez, engessado pelo senso comum do que seria o cinema, eles tentam fazê-lo refletir sobre o que é a interpretação e a história mostrada na frente das câmeras, mas também percebem que nem tudo pode ser improvisado, gerando desconforto e não andamento das filmagens.
Nathan Silver foi destaque na edição passada do Festival Olhar de Cinema com seus filmes apresentados na estreia da mostra Foco. Conhecido pela pesquisa em improvisação de roteiro e trabalho com não-atores, em Ator Martinez ele traz essa pesquisa para o campo da metalinguagem cinematográfica, focando na banalidade de um homem comum que ao receber o título de ator – de fato, nunca sabemos se ele é algo além do que vemos na tela – tenta elevar o improviso da sua vida a um status de ficção, confundindo a realidade com o que anseia ver na tela. Apesar do longa se perder em vários momentos na tentativa de diálogo, ele faz uma indagação ao próprio histórico dos dois diretores, sugerindo que o comum, quando colocado diante das câmeras em uma sociedade do espetáculo, pode perder a beleza do improviso e se tornar um cronograma repleto de intenções.
Nota:

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Varilux

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AUTOR

Emanuela Siqueira

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