O Mistério de Candyman

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12.03.1993

"O Mistério de Candyman": um filme de horror, drama e crítica social dos anos 1990

Habitantes dos cantos escuros dos subúrbios distantes e esquecidos pela sociedade, sejam muito bem-vindos a mais uma misteriosa análise aqui no Quadro por Quadro.

“Quando toda uma comunidade começa a atribuir o horror diário de suas vidas a uma figura mítica, Helen Lyle, uma pesquisadora sobre folclore moderno, – mesmo cética em relação às superstições – fica entusiasmada para escrever sua tese. Estará Helen preparada para desvendar O Mistério de Candyman?”.

Helen Lyle e Bernadette Walsh são pesquisadoras na Universidade de Illinois em Chicago, e trabalham juntas em uma tese sobre como os moradores de Cabrini-Green – um conjunto habitacional popular dos subúrbios – usam a lenda de um espírito assassino, conhecido pela comunidade como “O Candyman”, para lidar com as dificuldades de suas vidas diárias, e a desigualdade que os assola.

Visitando o subúrbio, ao saberem sobre o caso mais recente de assassinato, que assim como muitos outros, fora atribuído a tal entidade, Lyle e Walsh investigam um apartamento muito sinistro. Mais tarde, decidem fazer o ritual para conjurar o espírito, – que consiste em chamar por seu nome, “Candyman”, cinco vezes em frente ao espelho – no entanto, para o fortalecimento de seu ceticismo, nada acontece para elas.

“O que há por trás do mistério, por trás da lenda… Por trás do espelho?”

Será mesmo que “O Candyman” é apenas uma invenção, ou as pesquisadoras acabaram se envolvendo em uma espiral de terror visceral da qual podem não sair vivas no final?

“Todo mundo é um livro de sangue; onde quer que sejamos abertos, somos vermelhos”.

No comando desta película temos Bernard Rose, um prolífico diretor, roteirista, compositor e editor, inicialmente conhecido pelo seu trabalho nas telinhas, dirigindo videoclipes para artistas como Bronski Beat, Frankie Goes to Hollywood e Neil Diamond. Rose logo ascendeu em sua carreira sendo reconhecido por obras variadas envolvendo Horror e/ou Drama, assim como adaptações biográficas, – principalmente de músicos – e literárias. Alguns de seus trabalhos mais marcantes são: A Casa dos Sonhos, Minha Amada Imortal, Anna Karenina, Snuff-Movie, The Kreutzer Sonata, Tal Pai, Tal Filho e Paganini: O Violinista do Diabo.

O Mistério de Candyman é uma adaptação do conto The Forbidden presente em um dos volumes dos Livros de Sangue do autor britânico Clive Barker, que explora a interação das pessoas e os ambientes em que moram, assim como o impacto que isso tem em seus psicológicos, como o ambiente molda as pessoas, e como as pessoas constroem o ambiente e a si mesmas. Ou seja, o filme tem uma base sólida para ser explorada e extrapolada.

É uma produção de horror com a cara do início da década de 1990, em que os Estados Unidos começam a se recuperar de uma de suas épocas mais violentas, que foram os anos 1980, e a repercussão disso, que é impressa principalmente nas comunidades menos abastadas. Portanto, além do visual noventista, sua moda, arquitetura e tecnologia, temos também um clima não somente de horror, mas também de abandono intenso.

O filme é bem consistente, com boas atuações do núcleo principal – composto por Virginia Madsen como Helen Lyle, Kasi Lemmons como Bernadette Walsh, e Tony Todd como Candyman – trilha sonora bastante envolvente desenvolvida por Philip Glass (considerado como um dos compositores mais influentes do final do Século XX), e efeitos visuais impressionantes, não apenas pela coragem em serem produzidos, mas, pelo impacto que causam no espectador, sendo um filme que contém além do horror, boas doses de drama e crítica social, que nos coloca em imersão ao mesmo tempo que nos faz refletir.

Curiosidades:

  • Tanto o filme quanto o personagem Candyman são lembrados até hoje nas listas das grandes influências do Horror.
  • O sucesso do filme original estreou uma franquia composta por duas sequências lançadas ainda nos anos noventa, sendo elas Candyman 2: A Vingança e Candyman: Dia dos Mortos.
  • A franquia foi reinicializada no ano de 2021 com o lançamento de A Lenda de Candyman, projeto encabeçado por Jordan Peele e Nia da Costa.
  • Mais de 200 mil abelhas foram usadas na produção, e apesar da maioria dos envolvidos utilizarem trajes protetores, os atores envolvidos precisaram interagir totalmente com elas, utilizando o mínimo de proteção.
  • Apesar de utilizar uma proteção bocal para as cenas mais insanas com as abelhas, o ator Tony Todd, que viveu o personagem Candyman, ainda assim teve 23 picadas, as quais negociou uma quantia de mil dólares por picada recebida.

Até a data desta publicação, 27/10/2023, O Mistério de Candyman pode ser assistido no Google Play Filmes e TV, Youtube e Apple TV.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Pedro Fonseca

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