Amor, Drogas e Nova York

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15.10.2015

Sabe a ideia romântica habitual de Nova York vista nos filmes? Esqueça, não é o que você vai ver em Amor, Drogas e Nova York. A cidade que nunca dorme mostra-se fria, feia e pouco simpática, sendo relegada ao papel de coadjuvante na história de Harley (Arielle Holmes), uma moça de 19 anos viciada em drogas que vive nas ruas junto a seu namorado, Ilya (Caleb Landry Jones).

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Uma trilha meio perturbadora define o tom do filme já nos primeiros 15 minutos, mostrando a tentativa de suicídio de Harley após ter se relacionado com outro homem e ter ouvido de Ilya que queria que ela se matasse como prova de seu amor. Cena forte. Filme forte. A última vez que senti tamanho desconforto emocional e físico com uma cena foi em Réquiem Para um Sonho.

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Então acompanhamos o cotidiano desses amigos e desse casal, tratando-se como lixo e dando conselhos pertinentes em momentos distintos. Conversas centradas no uso, na droga, mas também nos sentimentos de Harley, na forma com que ela ama Ilya – perigosa, diria. Existe uma cena interminável onde Arielle quer toda a droga naquela hora e não conforme o combinado, metade agora e metade pela manhã. A cena se estende indefinidamente e dá vontade de abandonar o filme, mas a curiosidade é mais forte. E então vêm surpresas como a música Clair de Lune em uma versão de Isao Tomita tocando a um dado momento do filme.

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A grande curiosidade e revelação do filme é sua própria protagonista, a atriz Arielle Holmes, que interpreta a si mesma. Como assim? Explico. Joshua Safdie, diretor do filme junto a seu irmão Ben, estava um belo dia a passear pelas ruas de Nova York, há cerca de dois anos, quando avistou dentro do metrô uma beleza diferente, de traços russos, e a abordou. Foram conversar e descobriu que ela vivia nas ruas e contou sobre seu namorado, Ilya, o amor de sua vida, e seus amigos, além do vício. Os diretores também escalaram os amigos de Arielle para interpretarem a si mesmos, exceto por Ilya, por sua inconstância. Nesse caso, foi chamado o ator Caleb Landry Jones, que já esteve em X-men: Primeira Classe.

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É um filme mais bruto, quase com ares de documentário em alguns momentos, talvez por querer se aproximar da realidade meio surreal de uma vida entregue às drogas. O que vemos são jovens que gostam da liberdade que a droga lhes proporciona, sem se darem conta de como ela limita suas chances, de como representa uma vida aprisionada. Uma produção que vale pelo choque, pela representação de uma vida tão diferente da usual, por nos tirar da zona de conforto da sétima arte e – por que não – da vida.

Nota:

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AUTOR

Marcela Sachini

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