Meu Casulo de Drywall

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09.09.2024

"Meu Casulo de Drywall": Um retrato cruel e perturbador das tensões invisíveis

Difícil dizer o que é mais legal de ver nesse drama dirigido brilhantemente por Caroline Fioratti. Talvez o melhor seja se deixar envolver por toda a proposta de Meu Casulo de Drywall e verdadeiramente parar e pensar em todos as pautas trazidas para a conversa, agora com uma roupagem totalmente nacional.

É o aniversário de 17 anos de Virgínia (Bella Piero) e ela conseguiu que a mãe saísse de casa, sob muitos protestos e depois de várias recomendações, para comemorar com uma grande festa. Conforme os convidados principais vão chegando, não só a comemoração se desenrola, mas também fica claro que há muita tensão e tipos de violência disfarçada nas relações entre eles. Qual realmente foi o resultado deste encontro, quem são os verdadeiros responsáveis pelos acontecimentos e como ficará a vida de todos depois da festa é algo que ninguém tem como saber.

Para quem gosta de histórias com clima como o da série Euphoria e 13 Reasons Why, este filme é uma ótima escolha. A trama foi construída de uma forma que intercala momentos do passado e do presente dos personagens, e somente na última cena é que o real desfecho é apresentado. Essa escolha para construção do enredo é o que garante o peso das cenas, que são carregadas de emoções conflitantes. Ao mesmo tempo em que tudo está bem, nada está, todos estão em segurança e no segundo seguinte estão beirando a morte, todos são vítimas e igualmente culpados pelos piores pesadelos do outro.

Essa linha fina entre o equilíbrio e o caos absoluto, que é essencialmente o caminho por onde qualquer adolescente de 17 anos anda, foi retratada de uma forma muito perspicaz. Conforme o nível de instabilidade emocional vai se intensificando e o amparo diminuindo, aparecem feridas abertas no corpo de Virgínia. Elas não se curam, apenas aumentam proporcionalmente a quão mal ela se sente. Situações semelhantes acontecem com seu namorado Nicollas (Michel Joelsas), e a melhor amiga, Luana (Mari Oliveira). Enquanto ele vive sob o regime autoritário dO General, seu pai, que se nega a aceitar a orientação sexual do filho, ela vive o peso de ser responsável pela mãe depressiva.

Também não tem como assistir a esses relacionamentos sem considerar a família de cada um. Fica claro como, para os pais, é impossível acertar com os filhos. Não importa se há cuidado e amor, ou indiferença, repressão ou negligência, a possibilidade de algo muito ruim acontecer existe para os dois casos. E se há algum consolo é o de que os adultos estão tão perdidos quanto os mais jovens, a ponto de uma das mães do grupo, no meio do mais alto desespero dizer “Me conte alguma coisa que eu não sei”, mostrando que há tanto que se sabe e que não se faz ideia sobre o mundo da própria filha.

O mais importante é enfim reconhecer a realidade do que é retratado, de não negar como todos somos capazes de maldades das quais não fazemos ideia e por isso ser tão necessário estarmos vigilantes sobre como nos envolvemos com as pessoas que são queridas para nós.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Thais Wansaucheki

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