Bagagem de Risco

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14.12.2024

"Bagagem de Risco": Suspense altamente turbulento

Em Bagagem de Risco, Taron Egerton assume o papel de Ethan Kopek, um agente da TSA preso a um trabalho sem perspectivas que, na véspera de Natal, é forçado a enfrentar um dilema ético e de sobrevivência. A trama, que mistura elementos de ação e suspense, explora como uma pessoa comum reage ao ser levada ao limite. Sob a direção de Jaume Collet-Serra, o filme oferece um entretenimento eficaz, mas frequentemente tropeça em sua própria premissa exagerada.

A história central é simples: Ethan é chantageado por um viajante misterioso, vivido por Jason Bateman, que ameaça a vida de sua namorada grávida caso ele não permita que uma bagagem perigosa passe pelo controle de segurança do aeroporto. Essa premissa, embora intrigante, é construída sobre várias conveniências e buracos de roteiro, pedindo do público um nível elevado de suspensão de descrença.

O desempenho de Egerton é um dos pontos altos. Ele transmite com intensidade a luta interna de Ethan, dividido entre proteger sua família e as consequências de suas ações para centenas de passageiros. Sua performance física lembra momentos de adrenalina vistos em Kingsman, enquanto sua carga emocional dá profundidade ao personagem. Já Bateman entrega um vilão inesperadamente carismático, cuja postura calma e controlada cria uma tensão constante e desconfortável.

O diretor Collet-Serra, conhecido por thrillers como Sem Escalas, demonstra habilidade em coreografar sequências de ação intensas, como uma perseguição de tirar o fôlego em uma rodovia. No entanto, o verdadeiro brilho do filme aparece em seus momentos mais íntimos, quando foca nos personagens centrais e suas motivações. Essa dualidade entre cenas grandiosas e momentos pessoais mantém o público engajado, apesar dos tropeços do roteiro.

Como um “primo” menos ambicioso de Duro de Matar, o filme acerta ao explorar a pressão e a improvisação em um cenário de alta tensão. No entanto, as longas cenas silenciosas e a trilha genérica de Lorne Balfe dão ao filme um tom episódico que, por vezes, mais parece feito para TV do que para cinema. Isso reduz a força do impacto em momentos que deveriam ser mais memoráveis.

Mesmo com suas falhas, Bagagem de Risco consegue capturar a atenção de quem está disposto a aceitar suas reviravoltas improváveis. A dinâmica entre Ethan e o antagonista, bem como o suspense crescente, são suficientes para manter o público na ponta da cadeira. Porém, é difícil ignorar que o filme poderia ter sido muito mais se tivesse arriscado menos no exagero e apostado mais em um desenvolvimento narrativo sólido.

No final, Bagagem de Risco é um passatempo eficiente para quem busca uma experiência tensa e descomplicada. Mas, tal como um voo turbulento, é o tipo de filme que você aprecia pelo alívio de aterrissar em segurança no final. Se nada mais, é um lembrete para ter um pouco mais de compaixão pelos agentes da TSA durante a alta temporada.

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AUTOR

Felipe Fornari

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