Sonic: O Filme

(2020) ‧ 1h39

13.02.2020

“Sonic: O Filme”: Uma corrida para lugar nenhum

Adaptações de videogames para o cinema raramente encontram um equilíbrio entre nostalgia e narrativa, e Sonic: O Filme não é exceção. Baseado na famosa franquia da Sega, o longa dirigido por Jeff Fowler é, no fundo, mais uma peça de marketing do que uma experiência cinematográfica memorável. É colorido, barulhento e cheio de energia – exatamente o que pode cativar crianças pequenas – mas deixa muito a desejar para o público mais velho.

A história serve como uma espécie de “origem” para Sonic, um conceito que talvez ninguém estivesse pedindo. Aqui, ele é um refugiado intergaláctico que busca abrigo na Terra, mas seu isolamento é quebrado após uma explosão de energia que chama a atenção do governo e do excêntrico Dr. Robotnik (Jim Carrey). Ao lado do policial Tom (James Marsden), Sonic embarca em uma fuga repleta de clichês, culminando em um confronto previsível.

Se há um destaque no filme, é Jim Carrey. Seu Robotnik é uma caricatura vibrante que remete ao Carrey dos anos 1990, cheio de caretas e exageros. Embora sua atuação seja claramente desconectada do restante do elenco, ela traz uma energia que, de outra forma, faltaria ao longa. Para os fãs do ator, este é um retorno divertido ao estilo que o consagrou, ainda que sem a nuance dos seus trabalhos mais recentes.

Já o Sonic, dublado por Ben Schwartz, é visualmente atraente e cheio de personalidade, mas sofre com um roteiro que se apoia em piadas fáceis e um humor que raramente atinge o público mais velho. O filme tenta criar uma dinâmica de amizade entre Sonic e Tom, mas a relação não é desenvolvida com a profundidade necessária para se destacar em meio a tantos filmes com premissas semelhantes. Comparações com clássicos como E.T.: O Extraterrestre são inevitáveis, mas injustas – Sonic: O Filme não chega nem perto de replicar a magia de uma amizade interplanetária.

A previsibilidade é outro grande problema. A trama segue um manual já desgastado, onde cada reviravolta pode ser antecipada a quilômetros de distância. Para os pais que acompanham os filhos, isso pode transformar a experiência em algo monótono e cansativo. Mesmo os momentos de ação, embora bem animados, carecem de inovação ou impacto real.

O público-alvo claro do filme são as crianças pequenas e os nostálgicos pouco exigentes. Nesse sentido, ele entrega o que promete: uma diversão passageira e esquecível. Entretanto, para os fãs de longa data do personagem, fica a sensação de que faltou um cuidado maior para traduzir a essência dos jogos em uma narrativa realmente envolvente.

No fim das contas, Sonic: O Filme é mais uma peça na longa história de adaptações medíocres de videogames. Ele não é desastroso como Super Mario Bros., mas também não oferece nada que eleve o gênero. Para muitos, será apenas uma distração para os pequenos, mas dificilmente será lembrado como um marco – nem na filmografia de Jim Carrey, nem na trajetória do ouriço azul.

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AUTOR

Felipe Fornari

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